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8 de janeiro de 2009

Qual é o cúmulo da ligeireza?

LI POR AÍ – 2009 01 08 - 005

Por Airton Soares

CÚMULO
Eram tantos! “Qual o cúmulo da ligeireza fechar uma gaveta e botar a chave dentro.” Na lata. Emendávamos a resposta à pergunta atropelando a gramática e quem impedisse nossa vez.

ESTE É TERRÍVEL!
Gosto nem de pensar. Qual é o cúmulo do arrepio? Está preparado, leitor. Lá vai! Escorregar- nuzinho - pelo corrimão de uma Gilette e cair numa bacia de álcool. Peense, no arrepio!

NÃO HAVIA INTERNET
TV? Só o canal 2 da Tupi. Vídeo Alegre e Rin-Tin-Tin, imperdíveis! Sobrava-me bastante tempo para o bate-papo com a turminha da esquina.

DIA DESTES
pensei reunir a turma. Desisti. Melhor coisa que fiz. Seria cometer o cúmulo da saudade! O ser humano, com o tempo, se destempera. Perde a força viva do passado. Assim, em favor do cabimento, fecho este “Li” com duas saudosas poesias.

FERREIRA NOBRE DISSE
Ninguém definiu a saudade,
mas alguém já confessou:
que é simplesmente a vontade
de que volte o que passou.

DISSE `AS´
Saudade!
lástima solene
e pungente
da ausência
é uma dorzinha miúda, disforme
se esparramando n´alma da gente.

E O LEITOR?
Diz pra gente, besta. Diz a poesia que te apetece. Diz, dêxa de ser besta!

23 de agosto de 2007

Eu era feliz e...




Airton Soares

Você está apreciando, leitor, em primeira mão, uma xilografia do jovem artista Sebastião Quintela. Sebastião pertence à nossa família. Entre diversos papagaios, peixes e cavalos, demonstrados por ele, ontem no Sítio da "Tia Ozana" (ver post Dia dos Pais), essa de pronto me agradou.

Quando vi a paisagem, me veio voando a lembrança da minha adolescência; as farras/viagens de trem que fazíamos - meus primos Chico Antônio (Joca), Francisco José, Chiquinho e eu - de Fortaleza a Ipu. Férias! Festas! Fantasias! Era nosso mundo. Só nosso!

Ao olhar a gravura, é como se eu tivesse vendo o cheiro do reboliço de gente quando o trem parava em cada estação.

- Oia o milho, Vai ata...vai ata; Olha a manga coité; Eu tenho a tapioquinha de coco. Iô creme!

Homens e mulheres de faces encarquilhadas; meninos caneludos e remelentos como diria Moreira Campos, aproveitavam os poucos instantes da paradinha da `Maria Fumaça´, para garantir a sobrevivência do dia.

Não pense que a gente pensava isso na época. A constatação do quadro de seca e miséria só veio muito depois dessa fase paradisíaca!

Mas... por bem ou por mal a gente cresce e tudo isso vai ficando para trás e novas farras, festas e fantasias vão ocupando o vazio de outrora. Terá razão Honoré de Balzac quando disse que o bom da vida são as ilusões da vida?

13 de maio de 2007

SAUDADE: Ô dorzinha gostosa

Airton Soares

Uma pequena tristeza é um pequeno desapontamento. Nada grave. Passa logo. Já a angústia, é uma sensação de frustração que se estabelece no coração da alma. Chegou. Fincou. É dona do `pedaço´. Não existe polaridade. Angústia é angústia. Nem é pequena nem grande. Ela é. E pronto! A etimologia ajuda-nos a entender melhor. `Angusta´, no latim significa estreito. Por isso que sentimos aquela dorzinha gostosa apertando o peito da gente. Neste exato momento, minha saudade transita entre esses dois extremos, ou seja, entre o passa logo e a dona do `pedaço´.