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23 de agosto de 2007

Meu micro pifou


Airton Soares

Uma oportunidade para exercitar minha caligrafia e por que não datilografar? Já desempacotei minha querida máquina de escrever. Bem simples. Pirrototinha. Antiga. Olivett. Marca lettera. Não confunda! Não é essa que está aí ilustrando o post. É muito mais bonita!

Estarei regredindo? Não, não estou. Negar a importância da tecnologia é absurdo. Atualmente, com as infindas facilidades que a internet nos proporciona, ainda assim, perdemos muito tempo. Tem horas que fico dividido: acessar a net ou atender um porrilhão de livros implorando por manuseio.

Em determinadas circunstâncias, escrever, escrever de verdade usando mão, caneta e papel tem sabor de feijão verde com nata, quiabo e maxixe.

Saiba de uma coisa, leitor. Nada do que você acaba de ler aconteceu, excetuando "o ficar dividido", mas bem que poderia ter acontecido, ora! E se... estarei em ponto de bala!

13 de abril de 2007

pá...LAVRAS preciosas

PÁ...LAVRAndo - 01

Por Airton Soares (*)

paLAVRAS precisosas
Lugar de onde se extrai o ouro semântico

Nós, escritores, hackers do inconsciente coletivo; caçadores de novos significantes e significados, temos necessidade e compromisso (conosco e com a sociedade) de penetrar visceralmente nas palavras para extrair, reinventar néctares semânticos. E quanto mais familiaridade com os apetrechos lingüísticos (gramática,estilística e assemelhados) maior a probabilidade de sorver o encanto e o sortilégio das palavras.

O Professor M. Murry retrata muito bem esta situação quando diz que “o escritor está perpetuamente procurando forçar a linguagem a carregar mais do que devia, incessantemente exercendo uma espécie de delicada violência sobre a linguagem”.

E o exercício dessa “delicada violência”, caminho nem sempre adocicado, é estar “conectado” permanentemente com as formas lingüísticas e estudar a expressividade delas, isto é, a sua capacidade de transfundir emoção e sugestionar os nossos semelhantes.

Murry diz ainda que o “motivo real para o escritor assim proceder é o seu desejo, seu intuito de aprimorar ao máximo seu contexto. É como se estivesse numa guerra, mas a vitória se ele a consegue é também a vitória da linguagem que se vê assim enriquecida e embelezada”.

O escritor é um garimpeiro incansável de palavras preciosas (belas adormecidas!), é estúdio ambulante, é incansável chargista vocabular de plantão de suas emoções, é esponja sensível que absorve o que vê e o que não se vê. Por tudo isso, podemos afirmar:

Escravo das emoções
Papel, palavra, leitor
Testemunhar o seu tempo,
Eis a função do escritor.

(*) Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. Mais informações: http://mente.zip.net & http://airton.soares.zip.net

29 de janeiro de 2007

E o título da crônica?

Por Airton Soares

Meus caros e parcos leitores, preciso compartilhar com vocês uma pequena felicidade que teima em se repetir e se espichar por todos os dias. Não é uma coooisa do outro mundo, mas tem muito significado para mim. Trata-se dos meus escritos. Decidi todos os dias, escrever uma crônica; não uma crônica meticulosamente pesquisada, mas uma crônica escrita a toque de caixa, puxada pelo improviso, como esta que ora se forma.

Estou conseguindo. Sei que corro o risco de não agradar, mas vou em frente. Nada de texto longo. É coisinha miúda... leve e sutil. Sabe por que decidi escrever todos os dias, leitor? Para perder o medo. Verdade! Perder o medo de errar, medo de não agradar. Cansei de viver em função dos outros. Por falar nisso, tem uma frase que cabe bem neste contexto: "A opinião pública é como fantasma de castelo, ninguém nunca o viu, mas todo mundo tem medo."

- "AS, e nessas pressa toda... os erros de português!?" Alguém pode me questionar. Sem problema. Vou errando... e consertando. Lógico que terei o máximo cuidado com a gramática; estruturação do texto (coerência e coesão), mas sem me deixar travar por alguma dúvida de sintaxe.

E para finalizar esta crônica, que ainda não tem título, gostaria de dizer ao leitor que escreve e passa por estas aflições que use e abuse da imortal frase do Mestre Machado de Assis: "Palavra puxa palavra". Vá pensando... pensando... e escrevendo e quando você perceber já tem ultrapassado o "Tratado de Tordesilhas." E o título da crônica?

24 de janeiro de 2007

Ansiedades... de um escritor

Por Airton Soares



Acordou cedo, e mal se levantara foi direto pro micro tentar escrever o post do dia. Refletiu sobre as ansiedades múltiplas de que são acometidos os grandes editores de jornais: Isso é essencial ou importante? O que publicar? Como? Quais os cuidados, sutilezas a serem observados para não ferir suscetibilidades? "Digo isso" - monologava - "porque mesmo não sendo jornalista e escrevendo mais por deleite, tem horas que eu me sinto igualzinho a eles. Ou não me sinto? Sei lá! Não, eu sei; escrever, para mim, é só um hobby, um hobby apenas!"


- AS, escute aqui: você não é escritor, publicou livros?


- Sim... Sou... Publiquei...


- Não é você que, há 17 anos, mantém um jornal alternativo denominado Li por Aí?


- Sim.


- Assumiu um compromisso para escrever para o Jornal “O Rebate-Rio.”


- Também.


- É professor, ministra cursos e palestras na CDL, SEBRAE, CETREDE, entre outras instituições, utilizando como metodologia o teatro empresarial?


- Há mais de 20 anos!


- Pois então, jovem, não se apequene. Essas inquietações fazem parte de qualquer profissão. Isso, AS, é senso de responsabilidade... Rapaaaz! Quanto aos grandes editores, respeitemos as devidas proporções. É sabido que ainda falta muito para que a meta desejada seja atingida, mas não vejo nenhum disparate no que você diz (“Sentir-se igualzinho a eles).” Não se apequene, repito! Continue estudando. E não sei se você percebeu, mas para muita gente você já chegou lá.


Ah, sim, ia esquecendo: Eu sou o seu EGO e quero que você saiba que. antes de lhe dizer essas coisas, tive uma ”conversinha amigável“ com os nossos obstinados vizinhos, o Dr. ID e o Dr. Superego. Não foi fácil, mas, depois de muita luta, concordaram comigo em quase tudo. Quanto aos pontos discordantes, não se preocupe, pesam um nadinha na sua balança psíquica. Ah, sim, já chequei isso bem direitinho. Não sei até quando, mas concordaram. Isso é o que importa. Fico por aqui. Ah, e não se esqueça:" Se o esforço não quer dizer talento, ainda é o melhor substituto para ele".


22 de janeiro de 2007

Faltou assunto? Se avexe, não!



Tem que escrever e faltou assunto? Se avexe, não! Não entre em pânico, recorra aos provérbios e ditos populares. Um Santo remédio. Carece prova? Então leia o que se segue:

Você, meu amigo, não erra ao dizer que a tampa é que sabe o calor da panela, mas escute aqui: só as panelas adivinham o ponto de fervura das sopas. Acabemos de vez com essa discussão boba. Todos nós somos importantes, aqui e algures. Eu preciso de você e você precisa de mim e... `pt´ saudações! Ah, sim, ia esquecendo: uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto.

Bastaram três provérbios, apenas três, e cá estou com o post prontinho da silva. E de lambuja, estilisticamente, ainda me vali de um bordão e de uma gíria. Viva a paremiologia! Viva a linguagem popular! Viva!