25 de setembro de 2007

Incipiente e Insipiente

Airton Soares

Dúvida? Nunca mais!


- Ei, AS, Pare!

- O que foi que eu fiz...?

- Você ainda não fez nada, mas não comece esta crônica, porque eu já saquei tudo.

- Ótimo! Fico feliz, mas você precisa explicar.

- Simples: inCipiente é o que se inicia, que está no começo. É só lembrar do `C´ da palavra começo e inSipiente é quando a pessoa não `Sacou´a mensagem é o não sapiente... Ignorante, não sabedor. Você pode utilizar a minha frase como parâmetro:

“- Você ainda não fez nada, mas não comece esta crônica, porque eu já saquei tudo.”

A letra "C" está para o “Comece” assim com a letra "S" está para o “Saquei.” Não tem errada!

- Gostei, mas preciso preencher o espaço que me cabe, caso contrário não tem cachê. Já sei. Citarei alguns exemplos.

- Pronto. “Incipientemente” falando você é um sacador mnemônico de primeira categoria.

- “Nem tanto...”

INCIPIENTE

“Conservo recordações quase frescas, e que providencialmente adoçam as amarguras da minha incipiente* velhice.”

* Da minha velhice que se inicia; da minha principiante velhice.

“Essas ciências que o homem hoje domina, são incipientes** em relação a uma doutrina que tem como objetivo a outras dimensões do cosmos.”

** Ciências noviças; que estão no começo.

INSIPIENTE

“Os empregados que conseguiu eram todos insipientes, sem qualificação.”

Só lembrando: Incipiente e insipiente são palavras homônimas homófonas pois ambas têm o mesmo som e grafias diferentes.

19 de setembro de 2007

Retificar e Ratificar

Airton Soares

Dúvida? Nunca mais!

Há dias venho matutando
acerca das palavras homônimas Retificar e Ratificar. Não que eu tenha dúvidas sobre suas acepções, pois trabalhei por muito tempo numa empresa, examinando contratos de compra e venda. Se a escritura apresentava algum erro, havia necessidade de se elaborar uma outra escritura no cartório, denominada de escritura de re-ratificação, na qual se consertava o erro (retificar) e se demonstrava (ratificar) a área construída do imóvel, se fosse o caso.

O meu desafio
nesse exato momento é dizer-lhes (contexto: estou em sala de aula), dentro do que me propus, ou seja, criar associações mnemônicas com essas palavras que costumam tirar o juízo de vocês na hora da prova. Foi aí que me veio à memória uma salvadora fala provinciana que ouvira por aí.

Minha filha,
eu `ra ti´ disse num sei quantas vez, tintim por tintim, que home pra tu é o Zé: esse sujeito que tu tá com ele, é um carga torta. Esse chamego de vocês num tá me cheirando bem! "

Facilitando:

Retificar
O sujeito é um carga torta. Precisa ser alinhado, consertado... Retificado. Lembre-se de retífica, oficina especializada em retificar motores.

Ratificar
“Eu `ra ti´ disse num sei quantas vez, tintim por tintim, que home pra tu é o Zé.”: Por várias vezes a mãe falou à filha minuciosamente, demonstrando por A mais B (ratificando), que o Zé não é flor que se cheire.

A chave mnemônica
para não esquecer o significado de ratificar é associar com `ra ti (já te) que é o jeitão de falar dos nossos irmãos, geralmente provincianos, que não tiveram oportunidade e/ou interesse em aprender a se expressar adequadamente. Que tal você agora ratificar essas dicas mnemônicas explanadas no presente texto?

9 de setembro de 2007

O gato comeu

Charge: jornal da Paraíba 09 09 2007














Airton Soares

O meu contexto, não deve ter sido muito diferente do seu, sobretudo, para quem nasceu no interior. Era assim: sentado no colo da nossa mãe, ela formulando perguntas enquanto ia nos fazendo cócegas na palma da mão. Cadê o bolo que tava aqui? O gato comeu; Cadê o fogo? A água apagou; Cadê a água: O boi do "Renan" bebeu...

A cada pergunta feita e respondida, o nosso corpo era maternalmente `acocegado´ até chegar às axilas, a parte mais sensível e naturalmente onde se provocava mais gargalhadas correndo o risco até de um engasgo.

Lembra, jovem leitor? Lembra nada! Não era nem nascido quando essa brincadeira infantil estava "em voga" Bah! O fato é que voltei ao passado ao perceber a estranheza do carrasco- da charge acima - olhando a guilhotina vazia..

Na simples palavra "Renan" tem muito de sentido implícito: Ai vai! cadê o "home" pra gente cortar a cabeça dele? Sumiu! O Senado o descaçoou! Todo esse discurso, creio, está inserido no "Renan". E como diria Tutty Vasques: "Ô raça!"

Agora veja como são as coisas. As coisas que digo é a nossa mente. De uma lembrança tão boa fui logo associar a um escândalo que nos faz berrar de raiva e de ódio. Mas, como diz nosso "Chico": O que dá pra rir dá pra chorar / Questão só de peso e medida / Problema de hora e lugar...

Só mais uma coisinha, leitor, juro que vou concluir a crônica. E se a minha interpretação da charge for diferente da sua? Tem mais jeito não. Já cortei o cordão umbilical da crônica. "Ines é guilhotinada!"

8 de setembro de 2007

Eita, chuvinha gostosa


Por Airton Soares
Enquanto chove chupo manga em mangas de camisa, sentado na varanda do meu monastério, no bonito e sossegado Centro de Fortaleza, sem me preocupar com os curiosos que passam, no outro lado da calçada, de pescoço erguido, olhando meu feliz e descontraído gesto.
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Parecem que mangam de mim. Ora, eu é que mango deles. Quanta pressa! Sei, vão pro trabalho. Na verdade, mango de mim também ao lembrar do tempo em que, todos os dias, era sempre igual: acordar cedo / pegar ônibus lotado / bater ponto / Ah, só em pensar fico tonto.
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Eita chuvinha gostosa.
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Vale uma poesia. Se gostar ou se não gostar, diga alguma coisa leitor. Quem tá na chuva é pra se molhar. Quem se mete a escrever está sujeito a `tapas & beijos´. Chega de conversa.
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Eita chuvinha gostosa!
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Xô calor!
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Hoje de manhãzinha, bem `cedin´


Choveu.
Xô calor que
chocalha a
paciência.

E a ciência?
chuvida de
idéias
provida de
panacéias.

Chover não faz?
Faz. Mas não dá
pro pasto
pro gasto

É. Ainda por cima
xingamos
na maior
na música
na rima:

"Por favor chuva ruim
não molhe mais o meu amor assim..."

Assim, malhando
São Pedro, o Manda - Chuva,
não manda chuva.

Eminente e Iminente

Dúvida ... nunca mais!

EMINENTE

Valho-me das ESTRELAS e de um punhado de fantasia. Faz de conta que não existe lei da gravidade. Pegue agora mesmo a letra “E” de eminente e joque-a para o alto. Num abrir e fechar de olhos ela estará no sidério fazendo companhia às outras estrelas.

Por estarem em lugar de destaque, as estrelas são eminentes. Daí ser costume, entre nós, ver com superioridade a pessoa que nasceu com uma estrela na testa. Essa pessoa atingiu um grau de excelência acima dos seus pares.

IMINÊNCIA

Atentemos para o detalhe: As pessoas eminentes - em sua grande maioria - estão na iminência* [numa “peinha” de nada pra acontecer] de fazer alguma "bestêra", pois não é raro se embriagarem com o brilho e o poder com os quais foram agraciadas.

Poderíamos tecer mais comentários sobre os "eminentes", mas fugiríamos do nosso propósito. Fica para outro cabimento.


Tem pra mim que não precisa dizer mais nada não! Ou tem?


* Que ameaça acontecer breve.

6 de setembro de 2007

Taxar e tachar

dúvida... nunca mais!

Airton Soares


TAXAR
Lembre-se de que nas aulas de matemática, aprendemos a encontrar o valor de “x”. Nunca o de “ch”. Encontramos o valor de ”x”... O valor dos impostos... O valor das taxas, etc e etc...

TACHAR
A situação é a seguinte: minha tarefa é pregar um prego na parede. A primeira coisa, antes da primeira martelada, é demarcar o lugar onde será afixado o prego.

Não se desapregue da imagem do prego, da tacha. Entremos em outra sala mnemônica. Todas as vezes que escrever tachar (com “ch”), lembre-se daquele dia em que, tomando uma cervejinha no barzinho da esquina, você simplesmente, na hora de pagar... “Pendura aí" Zé, semana que vem a gente se acerta. E... o tempo foi passando... passando e você não pagou a farra que fez. Então, por lá, você foi tachado de velhaco!

Outra maneira de associar a palavra TACHAR. = T. ACHAR = Te ACHO uma pessoa velhaca. Eu pus um defeito em você ou minha impressão é de que você tem esse defeito. É isso o que eu ACHO.

Portanto, tachar (com “ch”) é censurar; pôr tacha ou defeito em; manchar. Citemos apenas duas frases para sedimentar a aprendizagem: “Não me tachem de espírito vil” (Machado de Assis). “Muitas vezes as pessoas são tachadas de dinâmicas, mas não passam de agitadas.” (li por aí).

Pois pronto! Taxar (com x) é regular o preço de. E tachar (com ch) é avaliar procedimento, conduta.

Com essas técnicas mnemônicas, espero ter contribuído para sanar de vez sua dúvida sobre essas palavras homônimas homófonas.

Ah, sim, ia esquecendo: se você souber de mais dicas sobre o tema exposto, envie pra mim. Ficarei mais feliz do que mosquito em jaca “pôdi”!

3 de setembro de 2007

Fogo na Roupa

Por Airton Soares













Não pense o leitor, que vou falar sobre o sensualismo da jovem que aparece na foto com essa arma no cós de sua calcinha.

Aliás, nem precisa dizer nada. A imagem por si só já acorda em nosso juízo tudo que há de paradisíaco e profano.

Podemos até dizer com muita segurança que essa menina do jeito que está armada é “fogo na roupa” Pois bem, se não pretendo falar sobre as minudências dos deleites carnais, então qual será a proposta da crônica?

Mais desafio do que proposta, será discorrer sobre a etimologia da palavra belicismo - título do post do fotoblog Escrúpulos Precários de onde trouxe para cá essa "belicosidade"- sem me deixar influenciar tanto pelo texto imagístico-sedutor. Mas, como dizia o escritor Henry James: “Nem tudo que se enfrenta, pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que se enfrente.” Vamos lá!

Belicismo é a doutrina que defende a guerra ou o armamentismo. Pessoa de espírito guerreiro, belicoso. Assim, “Bellum” em latim deu arma, guerra na língua portuguesa.

"AS", se bélico diz respeito à guerra, armamento, como explicar esta notícia que li no jornal na qual aparece a palavra debelar? “A Infraero informa que o princípio de incêndio no Terminal II do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, já está debelado, depois da atuação de unidades do Corpo de Bombeiros...”

Dúvida pertinente. Acontece o seguinte: no sentido denotativo, de +belar ( não à guerra; cessar a guerra) é vencer em luta armada: derrotar. No contexto acima, debelar aparece metaforicamente, ou seja, no sentido conotativo significando a extinção de algo considerado maléfico, no caso o incêndio.

No duro, no duro não deixou de ser uma guerra, pois os bombeiros se “armaram” para combater o “inimigo” fogo. Chega de guerra! "Desarmemos" mentalmente essa jovem - se é que você já não o fez - pois como diz mestre Drummond: é função tácita da roupa preparar o instante de nudez.

2 de setembro de 2007

Furtar & Roubar

dúvida... Nunca mais!

Por Airton Soares

ROUBAR
Ontem à noite, dois ladrões aroubaram a casa de um Senhor aposentado e levaram ...


Sobre a frase acima, vou explicar por explicar, mas o atento leitor já deve ter percebido que não foi falha de revisão, mas que apenas fiz uma simbiose com o substantivo `roubo´ e o verbo `arrombar´[aroubaram]. Fiz isso de caso pensado, para você não esquecer nunca, nunca que somente há roubo quando há violência, ameaça.

Também podemos fazer a seguinte comparação com a letra “R”: Quem Rouba está com Raiva (e quem está com raiva, está violento).

FURTAR
Ontem à noite, dois ladrões furtaram a casa de um Senhor aposentado e levaram...

Neste caso não houve arrombamento, violência. Acontece que o aposentado se esquecera de fechar a porta dos fundos da casa. Os ladrões aproveitaram a ocasião e de mansinho, sem violência, pé ante pé, para não acordar o ancião, furtaram lhe jóias, dinheiro, etc.

Espero com isso, ter resolvido mais um problema dos falsos sinônimos.