23 de dezembro de 2007

Natal - duas trovas


Prezado Airton Soares,

Ainda que O esqueçamos,
Nesse corre-corre infernal,
É sempre importante lembrarmos
Que Jesus nasceu no Natal.

CLÁUDIO CÉSAR MAGALHÃES MARTINS
E-mail:
claudiocmartins@msn.com


dezembro teria tudo
pra ser (realmente) mês especial,
mas são tantos os compromissos
um corre-corre infernal
presentes... comes & bebes
a ISSO chamamos NATAL!
...se exagerei, não foi por mal!

Airton Soares

21 de dezembro de 2007

Literatura

Compare
Dois momentos. Dois corpos. Duas idades. Duas descrições.

Por Airton Soares

A primeira descrição, recentemente publicada aqui no “Li”, * trata-se de um texto do escritor Fialho de Almeida descrevendo uma senhora de brancas banhas. “dengosa e lírica senhora, esculpida em toucinho, numa sucessão de roscas que se sobrepunham e imbricavam para todos os lados... as do seio sobre as do ventre, as do ventre sobre as das coxa."

Agora compare a finura do escritor maranhense, Humberto de Campos, ao descrever uma linda morena em seu livro póstumo Fragmentos de um Diário. Comprei esta raridade num sebo aqui na terrinha. `Dois conto´, sem pechinchar! Repito: raridade... rara!

(...)
“Era linda a morena, de um moreno-mate, cabelos castanhos, boca miúda e vermelha, e dentes tão bonitos quanto a boca. Podia vê-la e analisá-la, de perfil. E foi essa posição que me permitiu ver, sob o manto gracioso, iluminando a pele finíssima, rosada e transparente, uma veiazinha azul, que, mostrando a delicadeza da epiderme, lhe dava uma graça particular. Saltou adiante, jovial como um pássaro na primeira madrugada de inverno. Vestia blusa de rendas. Não a vi mais, nem lhe soube o nome, nem ela o meu. Vinte e seis anos são decorridos. Grandes acontecimentos da minha vida estão olvidados. Mas aquela veiazinha azul continua, indelével, a aparecer na minha memória, sob aquela pele mate, pedindo-me, como naquele primeiro dia, um verso...um beijo..."

O leitor conseguiu ver, com nitidez, a dengosa e lírica senhora esculpida em toucinho e a veiazinha da linda morena? Eu consegui!
--------------------
* Li = meu blog
http://airton.soares.zip.net/

17 de dezembro de 2007

Leitura "pesada"

AS, você não acha que o
post abaixo é “pesado”?



Por Airton Soares

Pesado em que sentido? Peso de importância ou peso, `tipo assim´, sem atrativos gráficos e imagéticos?

Brinco.

Entendi perfeitamente seu queixume. O leitor tem razão. Pesadíssimo, mas necessário.

A princípio, é de bom alvitre citar o imortal aforismo chinês: "uma imagem vale por mil palavras". Vale até mais, contanto que o sujeito tenha na cachola as mil palavras. Dia desses li uma estatística assombrosa: 80% das reprovações dos concurseiros são por falta de leitura... experiência vocabular!

Não podemos supervalorizar os efeitos gráficos. As novas formas (excesso de imagem e grafíssimo) de compreender e interpretar o mundo prejudicam nosso nível de escuta. Hoje, a leitura está mais rápida do que a fala. A leitura-imagem diz tudo! Ou quase diz?

Washington Olivetto, da W/Brasil, contesta a emblemática frase do filósofo e educador canadaense Marshall Mcluhan quando disse que o meio é a mensagem. Isso foi válido, refuta Olivetto, na década de 60 quando existiam poucos meios e muitas mensagens. Hoje é diferente: Temos um turbilhão de meios e poucas idéias. Ninguém quer pensar.

Augusto Cury, em O futuro da Humanidade, afirma que a maior aventura de um ser humano é viajar e a maior viagem que alguém pode empreender é para dentro de si mesmo e o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro. No entando, o renomado escritor faz a seguinte ressalva: "mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas e descobrir o que as palavras não disseram."

A TV, as mídias em geral, pensam por você. Não se preocupe meu amigo, você só precisa consumir... consumir... E tem outra: se pensar aborrece, não pensar emburrece. A escolha é sua.

~~~~~~~~~~

Escrevi este post de afogadilho e ao sabor da emoção. Revisar é preciso. Adicionar uma imagem, também. Só uma. Bem bacana! Espero com isso, proteger o texto da corda bamba e deixá-lo consistentemente equilibrado no trapézio forma-conteúdo. Só assim, ele cumprirá seu papel, passo a passo, no palco das vidas.

Clique aqui leia o post supostamente "pesado"

10 de dezembro de 2007

DISSE ONÁRIO - 1

Por Airton Soares

...imbricar é dispor (coisas) de maneira que só em parte se sobreponham umas às outras, como as telhas do telhado, as pétalas das rosas ou as escamas do peixe. No sentido figurado imbricar quer dizer, segundo o"Houaiss", ligar(-se) estreitamente a (inter-relacionar).


O que me chamou a atenção nesse verbete (“Aurélio”) foi a ironia do escritor português, Fialho de Almeida, ao descrever as brancas banhas de uma lírica senhora.

Peço ao leitor criar a imagem da senhora, na medida em que for processando a leitura. Se você assim proceder, o verbo imbricar logo, logo estará incorporado ao seu vocabulário corrente.

Lá vai:

"dengosa e lírica senhora, esculpida em toucinho, numa sucessão de roscas que se sobrepunham e imbricavam para todos os lados... as do seio sobre as do ventre, as do ventre sobre as das coxas"

AS, não achei “essas coisa toda não.”

Pois eu achei, sobretudo a expressão “esculpida em toucinho” Que maldade!

Ah, sim, ia esquecendo: público alvo do "DISSE ONÁRIO" > vestibulandos.

8 de dezembro de 2007

VAI PRA CHINA!

VAI PRA CHINA!
Oba!


- Ontem: insulto. Hoje: elogio
- A China usa atualmente um terço do cimento produzido no mundo
- Prepara-se para sediar os jogos olímpicos
- Atesta um crescimento de 10%
- Duas pichações, em Pequim e Xangai: "Quanto mais leis, mais ladrões". Lao Tse. "Somos todos irmãos diante da natureza, mas estrangeiros pela educação". Confúcio.


Trechos, adaptados por mim, do artigo do sociólogo Daniel Lins. Leia matéria completa. Clicar.

29 de novembro de 2007

TUDO TEM QUE FAZER DINHEIRO

Nós temos memória, sim! Brasil, abril 2006

neoliberalismo
TUDO TEM QUE FAZER DINHEIRO
TUDO TEM QUE SE GASTAR


Não importa se sou um caseiro,
um Palocci, um "Beira- Mar"
se sou um sujeito direito
ou político de "H"
se digo que o Brasil tem jeito
é melhor desconfiar
tudo tem que fazer dinheiro
tudo tem de se gastar.

Se trabalho o dia inteiro
ou procuro me empregar
se sou exímio pistoleiro
ou se minha profissão é roubar
tudo tem que fazer dinheiro
tudo tem que se gastar.

Se na cadeia, o bandido
tá livre para `tramar´
se o puteiro em Brasília
tem Bingo - Campagne - Caviar
e que o campanheiro `Padilha´
pra casa não pode voltar
é que o cassino, na ilha
da fantasia, não pode parar
pois TUDO... tem que fazer dinheiro
tudo tem que se gastar!

16 de novembro de 2007

Em uma certa Instituição Pública

Por Airton Soares


Enquanto aguardava uma certidão de antecedentes criminais ouvia atentamente as lamúrias da funcionária, que me atendia, à sua coordenadora. “Num vou ficar louca não!”

Uma vez fazendo parte do contexto, não me foi difícil traduzir os subentendidos da (in) servidora: É muito serviço, fulana, eu não vou ficar louca preparando pra hoje esse horror de certidões. Tem condição não!

O discurso, "Não vou ficar louca...", que infelizmente é presença constante na maioria das pessoas que trabalham no atendimento a clientes, não me pareceu uma simples maneira de dizer, um dizer hiperbólico. Observando o semblante da funcionária, realmente ela demonstrava ter medo de enlouquecer com o "horror" de tarefas a cumprir.

No entanto, pelo que pude constatar, a digitação constava apenas do nome do requerente, número do CPF e alguns dados de praxe. O grosso do texto já estava pronto em forma de matriz.

E continuou: “Daqui a pouco vai começar o infeerno.” Pronunciou a última palavra com ênfase. Posso até dizer que o fez com muita raiva. Por um triz não perguntei à servidora. Senhorita, há quanto tempo você está nesse “infeerno”? Tive medo de me “queimar” e a certidão não sair a tempo.

Achei melhor ficar calado. Sei que não fui assertivo. Engoli calado e isto me deixou angustiado. Me senti mal, pois como já disse não fui assertivo e nem havia clima para tal.

Ainda bem que tenho o leitor para `ouvir´ o meu desabafo.


29 de outubro de 2007

das VANTAGENS de ser BOBO

Por Airton Soares

"O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." Clarice Lispector


Hoje recebi de uma amiga* o artigo acima. Que texto! Leia! Leia! Pode me chamar de bobo, mas enquanto lia, chorava. Era um chorar miúdo, tácito, pra dentro dos olhos e de compreensão.

Compreensão às pessoas, que ainda, não assimilaram em sua plenitude, a seriedade das minhas palhaçadas e compreensão a mim mesmo por, ainda, não ter conseguido alcançá-las.

Lembrei-me da expressão “O bobo da corte”, sempre arremessada com preconceito e intenção depreciativa.

Enfim, qual a função do "bobo"? Divertir o Rei e a corte. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e era o “o mestre de cerimônias” das festas.

Peense, num `caba´ atrevido e sagaz. De maneira geral era muito inteligente. Não tinha papas na língua.

Dizia o que o povo gostaria de dizer. Com ironia e jocosidades mostrava os dois lados da moeda, revelando as tricas e futricas íntimas da monarquia e expondo as ambições do Rei.

Claro que há desvantagem em ser bobo. Clarice cita um exemplo. Não vou contá-lo. Quero instigar o leitor a ler o texto por completo. Mas, em contrapartida, diz a escritora, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Ao ler, atente bem ao aviso de Clarice: “não confundir bobos com burros.” Das muitas lições que aprendi ao término dessa leitura, uma foi a de que doravante modificarei o ditado “ Se faz de bobo pra melhor passar.” Passarei a dizer: Se faz de burro pra melhor passar.

Vai bobo, deixa de ser bobo! Vai correndo na carreira e lê o texto!


Texto na na íntegra.
http://literbra.blogspot.com/2007/09/das-vantagens-de-ser-bobo.html



* "Senhorita Camurça"

11 de outubro de 2007

O Sorriso...

A frase que se seque não é totalmente de minha autoria, mas é como se fosse, pois fiz algumas adaptações e há mais de 15 anos a cito em meus cursos e palestras.

- Deixa de conversar miolo de pote, AS, sapeca logo a frase que hoje não estou pra muita conversa.

- É pra já, cativo leitor(o)

O SORRISO NÃO É UMA SIMPLES CONTRAÇÃO MUSCULAR. O SORRISO É A ESCOVA QUE CONSEGUE TIRAR AS TEIAS DE ARANHA DO CORAÇÃO.

Saúde pra todos nós!
“AS”

2 de outubro de 2007

Conversa vai... mev asrevnoC 03

Airton Soares

FAÇA COMIGO O QUE ÀS VEZES
faço com você. Quando leio um texto na internet e vejo que o autor dá espaço para comentários, não me confino apenas a elogiar. Dou a minha impressão da maneira mais assertiva. A maioria agradece. Se de coração ou só pra fazer o “social”, não sei.

DIA DESSES

recebi crítica de abalizada leitora a uma de minhas crônicas. De pronto, minha adrenalina subiu tanto que ficou apostando corrida nas veias. Após a tempestade constatei que, para melhor entendimento do leitor, eu deveria ter aprofundado mais o tema.

RECENTEMENTE ESCREVI
uma crônica que fala da dificuldade que nós temos em dizer “não sei.” No final, cito o grande Goethe: “Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco, à mediada que vamos adquirindo mais conhecimento, instala-se a dúvida.”

USO, ABUSO E ME LAMBUZO
dessa citação em meus cursos e palestras. É escusado dizer que já sei a máxima de cor e salteado. Caso o leitor se interesse em ler a crônica o lique é este: http://literbra.blogspot.com/2007/09/confesse-sua-ignorncia.html Não tem “marmota” (vírus). Endereço seguro. É parte integrante do meu blog LIVROS & LIVROS que, por sinal, tem um bordão de fazer inveja: que DEUS nunca ME LIVRE dos LIVROS.

É MEU AMIGO...
não podemos ficar esperando pelo outros, rasgados elogios. Se o elogio é difícil, imagine rasgado! É tão raro um elogio sincero que quando elogiamos uma pessoa (digo isso em tese) ela ao invés de agradecer se justifica.

QUE VER?
– Fulana, adorei seu vestido verde. Ela, prontamente: - Não.. É velho, mulher! Ora, bolas! Pra que dizer que é velho... Usado? É bonito. Isso basta!

VEJA ESTE OUTRO EXEMPLO:
- Muito obrigado pelo favor que você me fez, Sicrano. Aí o Sicrano responde: – Num foi nada não. Ora, num foi nada não. Você, meu amigo, despendeu tempo, energia e tal que verei e ainda diz que não foi nada. Vote! Cuide de altear sua baixa auto-estima `home e homa´ de Deus!

E PRA TERMINAR
“Ó Deus, dai-me paciência. Quero tê-la agora mesmo!” Vai conseguir nunca!

25 de setembro de 2007

Incipiente e Insipiente

Airton Soares

Dúvida? Nunca mais!


- Ei, AS, Pare!

- O que foi que eu fiz...?

- Você ainda não fez nada, mas não comece esta crônica, porque eu já saquei tudo.

- Ótimo! Fico feliz, mas você precisa explicar.

- Simples: inCipiente é o que se inicia, que está no começo. É só lembrar do `C´ da palavra começo e inSipiente é quando a pessoa não `Sacou´a mensagem é o não sapiente... Ignorante, não sabedor. Você pode utilizar a minha frase como parâmetro:

“- Você ainda não fez nada, mas não comece esta crônica, porque eu já saquei tudo.”

A letra "C" está para o “Comece” assim com a letra "S" está para o “Saquei.” Não tem errada!

- Gostei, mas preciso preencher o espaço que me cabe, caso contrário não tem cachê. Já sei. Citarei alguns exemplos.

- Pronto. “Incipientemente” falando você é um sacador mnemônico de primeira categoria.

- “Nem tanto...”

INCIPIENTE

“Conservo recordações quase frescas, e que providencialmente adoçam as amarguras da minha incipiente* velhice.”

* Da minha velhice que se inicia; da minha principiante velhice.

“Essas ciências que o homem hoje domina, são incipientes** em relação a uma doutrina que tem como objetivo a outras dimensões do cosmos.”

** Ciências noviças; que estão no começo.

INSIPIENTE

“Os empregados que conseguiu eram todos insipientes, sem qualificação.”

Só lembrando: Incipiente e insipiente são palavras homônimas homófonas pois ambas têm o mesmo som e grafias diferentes.

19 de setembro de 2007

Retificar e Ratificar

Airton Soares

Dúvida? Nunca mais!

Há dias venho matutando
acerca das palavras homônimas Retificar e Ratificar. Não que eu tenha dúvidas sobre suas acepções, pois trabalhei por muito tempo numa empresa, examinando contratos de compra e venda. Se a escritura apresentava algum erro, havia necessidade de se elaborar uma outra escritura no cartório, denominada de escritura de re-ratificação, na qual se consertava o erro (retificar) e se demonstrava (ratificar) a área construída do imóvel, se fosse o caso.

O meu desafio
nesse exato momento é dizer-lhes (contexto: estou em sala de aula), dentro do que me propus, ou seja, criar associações mnemônicas com essas palavras que costumam tirar o juízo de vocês na hora da prova. Foi aí que me veio à memória uma salvadora fala provinciana que ouvira por aí.

Minha filha,
eu `ra ti´ disse num sei quantas vez, tintim por tintim, que home pra tu é o Zé: esse sujeito que tu tá com ele, é um carga torta. Esse chamego de vocês num tá me cheirando bem! "

Facilitando:

Retificar
O sujeito é um carga torta. Precisa ser alinhado, consertado... Retificado. Lembre-se de retífica, oficina especializada em retificar motores.

Ratificar
“Eu `ra ti´ disse num sei quantas vez, tintim por tintim, que home pra tu é o Zé.”: Por várias vezes a mãe falou à filha minuciosamente, demonstrando por A mais B (ratificando), que o Zé não é flor que se cheire.

A chave mnemônica
para não esquecer o significado de ratificar é associar com `ra ti (já te) que é o jeitão de falar dos nossos irmãos, geralmente provincianos, que não tiveram oportunidade e/ou interesse em aprender a se expressar adequadamente. Que tal você agora ratificar essas dicas mnemônicas explanadas no presente texto?

9 de setembro de 2007

O gato comeu

Charge: jornal da Paraíba 09 09 2007














Airton Soares

O meu contexto, não deve ter sido muito diferente do seu, sobretudo, para quem nasceu no interior. Era assim: sentado no colo da nossa mãe, ela formulando perguntas enquanto ia nos fazendo cócegas na palma da mão. Cadê o bolo que tava aqui? O gato comeu; Cadê o fogo? A água apagou; Cadê a água: O boi do "Renan" bebeu...

A cada pergunta feita e respondida, o nosso corpo era maternalmente `acocegado´ até chegar às axilas, a parte mais sensível e naturalmente onde se provocava mais gargalhadas correndo o risco até de um engasgo.

Lembra, jovem leitor? Lembra nada! Não era nem nascido quando essa brincadeira infantil estava "em voga" Bah! O fato é que voltei ao passado ao perceber a estranheza do carrasco- da charge acima - olhando a guilhotina vazia..

Na simples palavra "Renan" tem muito de sentido implícito: Ai vai! cadê o "home" pra gente cortar a cabeça dele? Sumiu! O Senado o descaçoou! Todo esse discurso, creio, está inserido no "Renan". E como diria Tutty Vasques: "Ô raça!"

Agora veja como são as coisas. As coisas que digo é a nossa mente. De uma lembrança tão boa fui logo associar a um escândalo que nos faz berrar de raiva e de ódio. Mas, como diz nosso "Chico": O que dá pra rir dá pra chorar / Questão só de peso e medida / Problema de hora e lugar...

Só mais uma coisinha, leitor, juro que vou concluir a crônica. E se a minha interpretação da charge for diferente da sua? Tem mais jeito não. Já cortei o cordão umbilical da crônica. "Ines é guilhotinada!"

8 de setembro de 2007

Eita, chuvinha gostosa


Por Airton Soares
Enquanto chove chupo manga em mangas de camisa, sentado na varanda do meu monastério, no bonito e sossegado Centro de Fortaleza, sem me preocupar com os curiosos que passam, no outro lado da calçada, de pescoço erguido, olhando meu feliz e descontraído gesto.
.
Parecem que mangam de mim. Ora, eu é que mango deles. Quanta pressa! Sei, vão pro trabalho. Na verdade, mango de mim também ao lembrar do tempo em que, todos os dias, era sempre igual: acordar cedo / pegar ônibus lotado / bater ponto / Ah, só em pensar fico tonto.
.
Eita chuvinha gostosa.
.
Vale uma poesia. Se gostar ou se não gostar, diga alguma coisa leitor. Quem tá na chuva é pra se molhar. Quem se mete a escrever está sujeito a `tapas & beijos´. Chega de conversa.
.
Eita chuvinha gostosa!
.
Xô calor!
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Hoje de manhãzinha, bem `cedin´


Choveu.
Xô calor que
chocalha a
paciência.

E a ciência?
chuvida de
idéias
provida de
panacéias.

Chover não faz?
Faz. Mas não dá
pro pasto
pro gasto

É. Ainda por cima
xingamos
na maior
na música
na rima:

"Por favor chuva ruim
não molhe mais o meu amor assim..."

Assim, malhando
São Pedro, o Manda - Chuva,
não manda chuva.

Eminente e Iminente

Dúvida ... nunca mais!

EMINENTE

Valho-me das ESTRELAS e de um punhado de fantasia. Faz de conta que não existe lei da gravidade. Pegue agora mesmo a letra “E” de eminente e joque-a para o alto. Num abrir e fechar de olhos ela estará no sidério fazendo companhia às outras estrelas.

Por estarem em lugar de destaque, as estrelas são eminentes. Daí ser costume, entre nós, ver com superioridade a pessoa que nasceu com uma estrela na testa. Essa pessoa atingiu um grau de excelência acima dos seus pares.

IMINÊNCIA

Atentemos para o detalhe: As pessoas eminentes - em sua grande maioria - estão na iminência* [numa “peinha” de nada pra acontecer] de fazer alguma "bestêra", pois não é raro se embriagarem com o brilho e o poder com os quais foram agraciadas.

Poderíamos tecer mais comentários sobre os "eminentes", mas fugiríamos do nosso propósito. Fica para outro cabimento.


Tem pra mim que não precisa dizer mais nada não! Ou tem?


* Que ameaça acontecer breve.

6 de setembro de 2007

Taxar e tachar

dúvida... nunca mais!

Airton Soares


TAXAR
Lembre-se de que nas aulas de matemática, aprendemos a encontrar o valor de “x”. Nunca o de “ch”. Encontramos o valor de ”x”... O valor dos impostos... O valor das taxas, etc e etc...

TACHAR
A situação é a seguinte: minha tarefa é pregar um prego na parede. A primeira coisa, antes da primeira martelada, é demarcar o lugar onde será afixado o prego.

Não se desapregue da imagem do prego, da tacha. Entremos em outra sala mnemônica. Todas as vezes que escrever tachar (com “ch”), lembre-se daquele dia em que, tomando uma cervejinha no barzinho da esquina, você simplesmente, na hora de pagar... “Pendura aí" Zé, semana que vem a gente se acerta. E... o tempo foi passando... passando e você não pagou a farra que fez. Então, por lá, você foi tachado de velhaco!

Outra maneira de associar a palavra TACHAR. = T. ACHAR = Te ACHO uma pessoa velhaca. Eu pus um defeito em você ou minha impressão é de que você tem esse defeito. É isso o que eu ACHO.

Portanto, tachar (com “ch”) é censurar; pôr tacha ou defeito em; manchar. Citemos apenas duas frases para sedimentar a aprendizagem: “Não me tachem de espírito vil” (Machado de Assis). “Muitas vezes as pessoas são tachadas de dinâmicas, mas não passam de agitadas.” (li por aí).

Pois pronto! Taxar (com x) é regular o preço de. E tachar (com ch) é avaliar procedimento, conduta.

Com essas técnicas mnemônicas, espero ter contribuído para sanar de vez sua dúvida sobre essas palavras homônimas homófonas.

Ah, sim, ia esquecendo: se você souber de mais dicas sobre o tema exposto, envie pra mim. Ficarei mais feliz do que mosquito em jaca “pôdi”!

3 de setembro de 2007

Fogo na Roupa

Por Airton Soares













Não pense o leitor, que vou falar sobre o sensualismo da jovem que aparece na foto com essa arma no cós de sua calcinha.

Aliás, nem precisa dizer nada. A imagem por si só já acorda em nosso juízo tudo que há de paradisíaco e profano.

Podemos até dizer com muita segurança que essa menina do jeito que está armada é “fogo na roupa” Pois bem, se não pretendo falar sobre as minudências dos deleites carnais, então qual será a proposta da crônica?

Mais desafio do que proposta, será discorrer sobre a etimologia da palavra belicismo - título do post do fotoblog Escrúpulos Precários de onde trouxe para cá essa "belicosidade"- sem me deixar influenciar tanto pelo texto imagístico-sedutor. Mas, como dizia o escritor Henry James: “Nem tudo que se enfrenta, pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que se enfrente.” Vamos lá!

Belicismo é a doutrina que defende a guerra ou o armamentismo. Pessoa de espírito guerreiro, belicoso. Assim, “Bellum” em latim deu arma, guerra na língua portuguesa.

"AS", se bélico diz respeito à guerra, armamento, como explicar esta notícia que li no jornal na qual aparece a palavra debelar? “A Infraero informa que o princípio de incêndio no Terminal II do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, já está debelado, depois da atuação de unidades do Corpo de Bombeiros...”

Dúvida pertinente. Acontece o seguinte: no sentido denotativo, de +belar ( não à guerra; cessar a guerra) é vencer em luta armada: derrotar. No contexto acima, debelar aparece metaforicamente, ou seja, no sentido conotativo significando a extinção de algo considerado maléfico, no caso o incêndio.

No duro, no duro não deixou de ser uma guerra, pois os bombeiros se “armaram” para combater o “inimigo” fogo. Chega de guerra! "Desarmemos" mentalmente essa jovem - se é que você já não o fez - pois como diz mestre Drummond: é função tácita da roupa preparar o instante de nudez.

2 de setembro de 2007

Furtar & Roubar

dúvida... Nunca mais!

Por Airton Soares

ROUBAR
Ontem à noite, dois ladrões aroubaram a casa de um Senhor aposentado e levaram ...


Sobre a frase acima, vou explicar por explicar, mas o atento leitor já deve ter percebido que não foi falha de revisão, mas que apenas fiz uma simbiose com o substantivo `roubo´ e o verbo `arrombar´[aroubaram]. Fiz isso de caso pensado, para você não esquecer nunca, nunca que somente há roubo quando há violência, ameaça.

Também podemos fazer a seguinte comparação com a letra “R”: Quem Rouba está com Raiva (e quem está com raiva, está violento).

FURTAR
Ontem à noite, dois ladrões furtaram a casa de um Senhor aposentado e levaram...

Neste caso não houve arrombamento, violência. Acontece que o aposentado se esquecera de fechar a porta dos fundos da casa. Os ladrões aproveitaram a ocasião e de mansinho, sem violência, pé ante pé, para não acordar o ancião, furtaram lhe jóias, dinheiro, etc.

Espero com isso, ter resolvido mais um problema dos falsos sinônimos.

28 de agosto de 2007

É função tácita da roupa...



"É FUNÇÃO TÁCITA DA ROUPA
preparar o instante de nudez"

Airton Soares


Enquanto o leitor se entretém com o profundo e insinuante aforismo, do mestre Drummond, é tempo suficiente para que eu teça algumas linhas sobre a palavra tácita.

( três minutos depois...)

Na mitologia grega, tácita é a deusa do silêncio. Do latim tacitus = onde não há som, ruído, rumor.
Exemplos.:
:: Acordo tácito (sem alarde, discreto);
:: Os amores tácitos das estátuas de mármores ( não traduzidos por palavras). Lembrar a cena da novela Esperança.- clique. O personagem Toni e sua Maria (estátua);
:: Amanheceu taciturno (triste, calado)...e por aí vai...

Toda palavra tem o seu santuário íntimo. É lá que descobrimos as múltiplas possibilidades dos significados. É lá também, que podemos decifrar seu DNA semântico. O início da "viagem", via de regra, começa pelos dicionários.

Mas, "AS", consultar dicionários é um "saco". Aceito. Agora, lembre-se de que a vida não dá nada aos mortais sem grandes fadigas. Palavras do grande poeta latino Horácio.
E tem mais: se pensar aborrece; não pensar emburrece.

27 de agosto de 2007

A roupa da missa

Por Airton Soares

“NUM MOMENTO em que o Legislativo em geral
e o Senado em particular se vêem envoltos em graves
suspeitas, parlamentares não têm o direito de
tergiversar.
Precisam apurar tudo o que remotamente
se pareça com uma infração ética.”

Na minha infância, e no começo da minha juventude, domingo era dia de ir à missa. E ia-se à missa todo nos trinques, usando-se a melhor e a única roupa - de tergal - que se tinha, com sapatos pretos muito bem nuguetados.* E tinha um detalhe: segunda-feira ou no decorrer da semana era de praxe repetir-se a mesma indumentária.

Por que a repetição? É bom dizer: não estava suja... Apenas enxovalhada. Uma sujeirinha de leve, invisível ao olho nu. Precisava-se dessa justificativa, pois a grana era curta. Curtíssima! “Mãe, qual é a roupa que eu vou pro médico?” “Menino, vai com a roupa da missa.” Era assim. Por isso, a primeira roupa de tergal cinza, a gente nunca esquece.

Lembro também de uma jocosidade. (década de 60): Todas as vezes que o rapaz ia beijar a namorada arrotava. Tentava novamente beijá-la: novo arroto. Enfim, nunca conseguia beijar a namorada. “Como é nome do rapaz?” O nome dele é tergal porque ele não ama... arrota. Este trocadilho fazia alusão ao famoso slogan da época : “Tergal é único tecido que não amarrota nem perde o vinco.”

Bom! já é tempo de escarafunchar a palavra – tergiversar - que é o foco dessa crônica. Tergiversar vem do latim tergiversare, significando virar as costas, usar de evasivas ou subterfúgios. E tergo, em latim quer dizer costas, dorso. Daí a expressão jogo de cintura que ora abunda no Senado brasileiro. O trecho acima é parte integrante do artigo "O risco é não apurar", publicado hoje na Folha de São Paulo. Chega, já tergiversei demais!


* De nuget = cera para engraxar sapatos.

23 de agosto de 2007

Aconchego de alcova














Os Amantes - Bateau-Lavoir 1904 Oca

Airton Soares

Por mais que se tente, não se consegue definir o sentimento com fidelidade. Acredito que ele seja como a energia, que ao chegar ao consumidor final já deixou pelos fios do discurso boa quantidade de sua força semântica.

Melhor seria que esta energia nem saísse da fonte verbal, e ao olhar na fonte dos olhos, tacitamente, compreender que o sentido do sentir está lá, concentrado, em sua plenitude.

A energia-sentimento diz tudo sem meias palavras, mesmo que os pólos estejam juntinhos no aconchego de alcova fingindo que tudo está `libidinosamente´ límbico!

Quando se gosta gostando, qualquer suspeita de curto-circuito, o sistema aciona um dispositivo auto-regulador. O que está havendo? Estou sentindo você tão distante!

Só definir enclausura, limita. Tratemos, portanto, de redefinir o que em nós é intangível com os olhos do coração, se não dá "apagão". Rima pobre, mas rimou. E é verdade!

Eu era feliz e...




Airton Soares

Você está apreciando, leitor, em primeira mão, uma xilografia do jovem artista Sebastião Quintela. Sebastião pertence à nossa família. Entre diversos papagaios, peixes e cavalos, demonstrados por ele, ontem no Sítio da "Tia Ozana" (ver post Dia dos Pais), essa de pronto me agradou.

Quando vi a paisagem, me veio voando a lembrança da minha adolescência; as farras/viagens de trem que fazíamos - meus primos Chico Antônio (Joca), Francisco José, Chiquinho e eu - de Fortaleza a Ipu. Férias! Festas! Fantasias! Era nosso mundo. Só nosso!

Ao olhar a gravura, é como se eu tivesse vendo o cheiro do reboliço de gente quando o trem parava em cada estação.

- Oia o milho, Vai ata...vai ata; Olha a manga coité; Eu tenho a tapioquinha de coco. Iô creme!

Homens e mulheres de faces encarquilhadas; meninos caneludos e remelentos como diria Moreira Campos, aproveitavam os poucos instantes da paradinha da `Maria Fumaça´, para garantir a sobrevivência do dia.

Não pense que a gente pensava isso na época. A constatação do quadro de seca e miséria só veio muito depois dessa fase paradisíaca!

Mas... por bem ou por mal a gente cresce e tudo isso vai ficando para trás e novas farras, festas e fantasias vão ocupando o vazio de outrora. Terá razão Honoré de Balzac quando disse que o bom da vida são as ilusões da vida?

Meu micro pifou


Airton Soares

Uma oportunidade para exercitar minha caligrafia e por que não datilografar? Já desempacotei minha querida máquina de escrever. Bem simples. Pirrototinha. Antiga. Olivett. Marca lettera. Não confunda! Não é essa que está aí ilustrando o post. É muito mais bonita!

Estarei regredindo? Não, não estou. Negar a importância da tecnologia é absurdo. Atualmente, com as infindas facilidades que a internet nos proporciona, ainda assim, perdemos muito tempo. Tem horas que fico dividido: acessar a net ou atender um porrilhão de livros implorando por manuseio.

Em determinadas circunstâncias, escrever, escrever de verdade usando mão, caneta e papel tem sabor de feijão verde com nata, quiabo e maxixe.

Saiba de uma coisa, leitor. Nada do que você acaba de ler aconteceu, excetuando "o ficar dividido", mas bem que poderia ter acontecido, ora! E se... estarei em ponto de bala!

Coisas de Professor

Airton Soares

Li por aí
Namoro entre professor e aluna é lorota, o que vale é a nota.
Antes chorar num Mercedes, do que sorrir num ponto de ônibus.

Jô Soares disse
“O material escolar mais barato que existe na praça é o professor”. Sinto na pele. E olhe que a minha categoria é considerada chique. Foi, não, foi, somos chamados de consultor.

Um dia
Em roda de amigos, um chega pra gente e desveladamente desabafa:
- Gente, estou muito infeliz.
- Todos juntos, de uma só vez... Em uma só voz. Por que, fulano?
- Porque deixei de ensinar (nos colégios).

Esse nosso amigo
Largou a área educacional e montou um comércio. Dessa nova atividade já comprou casa, tem carro zero. Enfim, tem tudo que um classe média almeja, mas, segundo ele, é extremamente infeliz.

Dá pra entender?
Tem pra mim que dá!

13 de agosto de 2007

Eufemismo: USE e ABUSE


Foto: Curso- Motivação e Excelência no Atendimento.
CDL - Fortaleza - Julho 2007.

Airton Soares

Tenho o maior apreço pelas pessoas que possuem a arte de nos contestar sem que fiquemos de cara amarrada.

Elas nos dizem não, mas saímos com sensação de sim.
Tinha um chefe que era assim.

Não tive a pretensão de rimar. Mas ele era! Tinha tato. Sobretudo, na hora das reivindicações salariais.

Estas pessoas usam e abusam do eufemismo, figura de estilo que consiste em suavizar a expressão de uma idéia, substituindo o termo contundente por palavras menos desagradáveis ou mais polidas.

Em meus cursos e palestras, antes de falar sobre esse elemento da comunicação, costumo pedir à platéia, o sinônimo de rapariga. Timidamente os participantes vão dizendo: cunhã, puta, rameira, meretriz, catiroba.... e eu jogando lenha na fogueira. E... no final fecho dramatizando `eufemisticamente´ o seguinte texto:

Também podemos dizer, meus amigos, que a rapariga é aquela mulher que foi vencida pelo destino proibido e que caminha pelas ruas à procura de fregueses para um corpo cansado. Contei isso a uma colega na empresa... Após ouvir com muita atenção, salta da cadeira e quase gritando, num misto de êxtase e euforia: “Airton, que coisa linda, dá vontade de a gente ser” – Calma, minha colega, “menos”. Também não precisa exagerar!

Daí teço detalhes sobre a força e a energia emocional que as palavras têm, puxando a conversa para o viés venda/atendimento ou tema da palestra que me foi proposto. Nesta brincadeira séria todo mundo aprende e se diverte.

Meu espaço findou. Para fechar a crônica convidei o mestre dos cartoons, Jerry King* :

“Tato é a capacidade de dizer para alguém ir para o inferno e fazê-lo ficar entusiasmado com isso.”

* Clique aqui e saiba mais.

11 de agosto de 2007

CUmprimento e COmprimento

Airton Soares

Levante agora mesmo os dois braços pro céu. Cumprimente e agradeça fervorosamente a Deus por tudo que ele tem feito por você. Não vá cair na `bestêra´ (não me leve a mal `falar´ assim, é só uma maneira cearense de dizer) de ficar pedindo... Pedindo.... Ele sabe muito bem do que você precisa. O Mestre já lhe deu as nozes. A responsabilidade em quebrá-las é sua.

Sim, `AS´, e aí? Eu quero saber é como vou distinguir cumprimento de comprimento, nessa história de mnemônica?

Me diga uma coisa, leitor: quando você levantou os braços para cumprimentar a Deus, a posição dos seus braços parecia mais com a letra “U” ou a letra “O”? Ah! Pronto, não precisa dizer mais nada.

Para sedimentar a aprendizagem vai aqui, apenas, uma frase do escritor brasileiro Artur Azevedo em Contos Possíveis: "Ela entrou cerimoniosamente, cumprimentou-o com um gesto de cabeça.” Ela saudou-o, cortejou-o, louvou-o cerimoniosamente.

E o comprimento? Não, meu amigo, assim é encompridar demais uma coisa tão simples. Quebre as nozes. Cumprimente seu dicionário!

10 de agosto de 2007

Cada um deita na cama que fez




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Airton Soares

AS YOU MAKE YOUR BED, SO YOU MUST LIE IN IT.


Conversemos um pouco sobre o provérbio acima. No jogo de xadrez, por exemplo, você tem a inteira liberdade de fazer qualquer jogada, mas tem de se responsabilizar pelas suas conseqüências.

Essa comparação, nos remete ao pensamento do escritor espírita Léon Denis ao afirmar que "O futuro é a conseqüência do passado e, de degrau em degrau, o ser se eleva e cresce."

Diz ainda Léon que o homem é artífice de seus próprios destinos. (...) "livre e responsável, escolhe seu caminho, e se essa rota é difícil, as quedas que terá, os calhaus e os espinhos que irão dilacerá-lo, terão como efeito desenvolver sua experiência e fortificar sua razão nascente."

Acontece que é muito dolorosa, de pronto, a aceitação de que somos os agentes de nossos atos. Daí responsabilizar os outros pelos nossos infortúnios é uma forma "inteligente" de pretexto e justificativa. Agindo assim, a dor parece cair de intensidade. Ledo engano. Quem se justifica não cresce!

Crianças no cyber














Airton Soares

Não tem como a casinha da gente. Refiro-me ao nosso lar virtual. Neste exato momento, acesso a internet de um cyber, no interior do Estado. Uma quentura de lascar o cano. - Esta gíria é muito antiga, mas já que veio deixe estar - monitor de 14 polegadas; velocidade tartarúdica; teclado desprogramado. Já mudei duas vezes de computador.

Se não bastasse, ao pé de mim, um quarteto de eufóricas crianças - aos gritos - comemorando suas conquistas em seus preferidos games. Não demorei muito a pensar: se tivesse nascido nessa época, meu comportamento não seria diferente. Ainda assim, a consciência desse fato, não abrandou minha inquietação diante os contundentes diálogos que se seguem:

"É claro, eu matei você. Você não quis me ouvir"...

"Onde você aprendeu a jogar assim"...

"Vai Dudu, mete porrada!"

"Ei, como é que se destrói esse prédio?"

"Dudu vou te ensinar."

"Olha como é."

"Tá vendo?"...

"Deixe eu te ensinar."

"Vai pra cima."

"Aqui dá murro."

"Aqui dá nada."

"Aqui se baixa."

"`M´não dá nada."

"`R´ pra cima..."

Depois de tudo isso, tornei a pensar: quer saber de uma coisa: Vou me irritar não. Vou não. Não vou mesmo. A minha saída é prestar atenção à conversa da meninada. Sabe lá se não dá uma crônica!

8 de agosto de 2007

Dia pesado








Airton Soares

ontem, para mim...dia pesado
pesado não de peso, estafante,
mas dia ponderado
pus tudo na estante
cada qual no seu lado
e vi num instante
que tudo fluiu... arrumado
devo `aqui´, fiquei pensante...
ficar `mal acostumado!´
pois apenas sou breve passante
um passante encarnado...

7 de agosto de 2007

Bala perdida














Airton Soares

“Ligue não excelência. Vaia e bala perdida no Rio de Janeiro, entra por um ouvido e sai pelo outro.”

A legenda da charge acima faz referência à vaia que o presidente levou quando da abertura do PAN 2007 e compara com bala perdida no Rio de Janeiro.

A expressão "bala perdida", a meu ver, apresenta um subentendido, já que nos leva tacitamente a deduzir que a bala entra literalmente por um ouvido e sai pelo outro, como também, tem coerência pensar que há descaso por parte das autoridades diante o quadro da violência nesse Estado.

Espero que ao término da leitura, o leitor faça algum comentário, senão vou ficar de orelha em pé pensando que o lido entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

Não me leve ao pé da letra. É que gosto de me escanchar no lombo das palavras e sentir as emoções dos solavancos semânticos.

Confesse sua ignorância


ASK NO QUESTIONS AND BE TOLD NO LIES.
não faça perguntas e não lhe dirão mentiras.

Airton Soares


Pinóquio - Enrico Mazzanti - 1883

Ontem lia, relia e treslia o provérbio acima e não conseguia comentá-lo. Sabe aquela palavra ou frase que você entende, mas não sabe explicar? Pois essa é uma das tais. Mas hoje, sem ver-nem-pra-quê, um estalo visitou meu juízo e tenho a impressão de que agora a explicação sai. Não sei se convincente, mas sai.

É impressionante como temos dificuldade em dizer “não sei”. Parece que cometemos alguma espécie de crime quando confessamos nossa ignorância. Quer ver um exemplo bem simples e que ocorre com muita freqüência?

Quando estamos procurando um endereço, ao abordamos uma pessoa, esta dificilmente diz desconhecer o que lhe foi perguntado. Sem nenhum escrúpulo aponta pra qualquer direção. Tenho por hábito perguntar, no mínino, a três passantes, pois já passei por cada uma!

A coisa complica quando o nosso papel profissional é relevante e exige de nós respostas prontas na ponta da língua. Agora, me veio à memória a passagem de um livro sobre gerência. O autor recomendava ao chefe, num evento festivo, não se aproximar de um grupo de subordinados porque correria o risco de alguém lhe fazer uma pergunta e este não saber respondê-la.

Terrível! O livro em tela, que não recordo título nem autor, foi escrito nos anos setenta. De lá pra cá, esse contexto mudou bastante, mas ainda percebemos às claras, profissionais inseguros, fugirem de aglomerações de subordinados, como o cão foge da cruz.

Para finalizar essa crônica, não encontrei pessoa mais oportuna do que o grande poeta e filósofo alemão, Goethe: "Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco. À medida que vamos adquirindo conhecimento instala-se a dúvida."

31 de julho de 2007

Menina Bonita e triste


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Por Airton Soares

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Olá menina bonita e triste. O que fizeram com você ou deixaram de fazer? Fique à vontade... Relaxe! Não, não me entenda mal. Relaxe... Pra desabafar, contar suas mágoas, mas fique aí encolhidinha do jeito que você está. É melhor assim.

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Tem pra mim que não passei um nadinha de consistência nesse meu pedido. Bah! mudemos de assunto. Olhos verdes de caldo de cana... De engenho. Alguém já fez uma comparação dessas? Não, ninguém!

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Lembro-me agora do Dr. Mendonça, um personagem do conto Miss Dollar do escritor brasileiro Machado de Assis. Ele, o doutor, se pelava de medo de todas as mulheres de olhos verdes. Imagine vendo você assim... Pelada! Segundo o médico, a cor verde é a cor do mar; sinal de tempestade! Daí evitar todas as mulheres de olhos verdes. Que coisa mais ridícula!

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Machado, referindo-se ao médico, aconselha que o aceitemos com seus ridículos. "Quem não os tem?" E acrescenta: "O ridículo é uma espécie de lastro da alma quando ela entra no mar da vida; algumas fazem toda a navegação sem outra espécie de carregamento." No final da história dá tudo certo. Dr. Mendonça e Margarida... Leia o conto. Excelente! Aliás, quase tudo de Machado é Imperdível!

É... Moça bonita e triste, tenho de confessar a minha frustração. Como se protege! Como se tranca! Parece ostra. Não consegui arrancar de você sequer um pensar de sorriso, mas tentei. Desconfio de que você tem parentesco com a Monalisa. Tem?

Esta menina bonita e triste eu a trouxe de ESCRÚLOS PRECÁRIOS : : Iraldo

Criatividade

É a besta!

li por aí.

Surpreendido, o marido pergunta à mulher:

- Que fazem aqueles cinco homens, à espera, diante do gradeamento de nossa casa, com malas?

- Meu querido: eu quero fazer uma grande limpeza à casa, antes das férias. Por isso convidei cinco vendedores de aspiradores, de marcas rivais, e vou pedir a cada um fazer a sua demonstração, cada um em quartos diferentes da nossa casa...

29 de julho de 2007

Idéia peituda


Airton Soares

A idéia do torcedor me transportou às lembranças de pré-brochote no interior quando,"carrapichicamente", pedia ao meu pai um presente que estava muito além das suas possibilidades pecuniárias. Ele me deixava mais esperançoso ao dizer: “É só isso?! Qual é a cor do carro que você quer ganhar?” Ingenuamente respondia. Ainda bem que a gente cresce.

É só isso? Qual o tamanho e a cor do peito que você deseja ver caro desportista `amante´ do futebol? Olhe moço, esta prática estaria muito além das possibilidades morais vigentes. No entanto, é bom enfatizar: trata-se de uma idéia peituda e por demais instigadora.

Já pensou, a expressividade do público pagante em cada jogo! E... do jeito que anda esse mundão `$ifrônico´*, sabe-se lá!

Vou findar a conversa. Só quero dizer mais uma coisinha: um pouco de fantasia e jocosidade num final de um expediente estressante, se não fizer bem, mal é que não faz.

* $ifrônico (palavra inventada)... de cifra

28 de julho de 2007

Falando de Música II

Airton Soares

A preferida - Lendo hoje à tarde na varanda do meu `monastério´, de repente escuto uma melodia lá longe. Ela vem chegando de mansinho e, como ondas aromáticas, se infiltram docemente em meus ouvidos, coração, fígado e rins.

“Für Elise”, a minha preferida de todas entre todas, do mestre Beethoven. Dona Marinês, a vizinha que mora em frente, voltou a tocar piano.

Ah, Dona.... nem queira imaginar! “Für Elise” é uma bagatela e bagatela é coisa sem importância. Que nome mal empregado. Pois para mim é muito importante. Muito... Muito! Na minha estreiteza musical essa palavra não caberia aí. Bah, isso é de somenos importância.

Falando de Música I

Por Airton Soares

A definição:

Forma de Comunicação não-verbal que surgiu antes mesmo do homem aprender a falar.

A frase:
"Quem não sabe dançar, culpa a irregularidade do piso". Podemos identificar nesta frase um pretexto {justificação}, mecanismo de defesa mais conhecido como racionalização. Freud explica melhor. Quem justifica demais não evolui. De todos os mecanismos de defesa apontados por Freud, esse é o que está mais presente em nossas atitudes e comportamentos. Lembram daquela historinha da raposa e as uvas?

A expressão mais conhecida:
Dançar conforme a música ou do jeito que tocar eu danço. Estas expressões indicam achar-se a pessoa disposta a enfrentar todos os obstáculos, que "topa toda parada".

27 de julho de 2007

Pai coruja... "E quem não é?!"

Por Airton Soares

"A beleza não só consiste em sinuosas curvas,
ou mesmo depende de uma imaginação
aguçada para ver o outro,
mas sobretudo, de um espírito que sente
e um coração que fala. E isso é que conhecemos
popularmente como beleza interior." ::
Julius Quintella.

Um dia cheguei pra ele e disse: Julius decida o que você quer da vida e seja persistente na sua escolha. Se precisar, ande até com um pedaço de carbureto no bolso, mas amadureça com rapidez, sem perder o doce sabor da juventude. Se não gosta de estudar, descubra qual a sua paixão. Seja lá o que for, siga o seu coração. E foi o que ele fez.

Àquela época tinha 16 anos. Começou a desmontar sucata de rádio, mexer em computador (hardware) e o diabo a quatro... Já trabalha na área; no próximo ano, concluirá a faculdade de informática. Gosta de escrever e leva jeito para filosofia. Ah, hoje ele está com 23 anos e cabeça de 28.

25 de julho de 2007

Flagrante e Fragrante. Dúvida, nunca mais!

Por Airton Soares

Pensei. Um arranjo mnemônico com a palavra flagrante é sopa no mel e quem vai me adjutorar é o cantor Genival Santos, com sua música Eu lhe Peguei no Flaga. Preciso somente confirmar o nome da música em algum site especializado.

Surpresa: Não encontrei nada com a palavra flaga. Tive que apelar à minha amiga Luciana, especialista neste gênero musical.

Encasquetei, pois a primeira estrofe da música inicia-se apresentando uma irrefutável idéia de flagrante. "Eu lhe peguei no fraga" ...Você beijando um cara.” Houve uma evidência. A pessoa foi surpreendida praticando, digamos assim, um flagrante delito, já que assumira um compromisso afetivo com o personagem-cantor.

A princípio vamos supor que Genival empregou a palavra fraga no sentindo denotativo que traduzindo ao pé da letra seria assim: Eu lhe peguei na rocha, numa pedra grande. Totalmente fora de cogitação.

Ainda poderíamos inferir que o compositor se utilizou de “fraga”, redução giriesca da palavra fragrante (fragrância, perfumado), mas também estaria em descompasso com o contexto.

Por fim, podemos concluir que a expressão giriesca mais adequada para a música seria “flaga” (redução de flagrante) e não “fraga” (redução de fragrante, fragrância).

Agora, temos que admitir que FRAGA, aos ouvidos do coração, soa muito mais contundente, enquanto que flaga nos leva a pensar que é coisa de somenos importância pegar a namorada beijando um cara. Mas... Isso são devaneios semânticos fonológicos do poeta que vos digita esta crônica.

É... Está mais do que na hora de cantarmos em alto e bom som, do jeitão que ela é, a clássica música brega brasileira, Eu lhe Peguei no Fraga, de Genival Santos. Som na caixa...

Eu lhe peguei no fraga
E não quero explicação
Você beijando um cara
Com que cara?
Vou lhe dar o meu perdão (...)
Não, não, não
Você não tem coração
Não, não (...)

Todo mundo fazendo a coreografia...
Olha as mãozinhas pra cima ... Pra lá e pra cá!

22 de julho de 2007

Exercitando a memória















Por Airton Soares

Esta charge me faz lembrar... É um excelente exercício para a memória, leitor. Garanto-lhe. Faço isso, incansavelmente, todos os dias. Diante uma palavra, uma frase, um texto quer seja verbal quer seja não - verbal, pergunto a mim mesmo: Isto me faz... Tenho obtido resultados incríveis. Matei a cobra. Agora mostro o pau:
Nós, os brasileiros, temos espírito festeiro. Tudo termina em samba. A propósito da charge acima, me veio à memória uma trova que fiz quando a inflação brasileira estava bem pertinho das nuvens.

Ei-la:

De nada vale a inflação
é pagode o tempo inteiro
mulher, samba e seleção
eis o credo brasileiro.

A inflação baixou, e o credo continua. Não condeno esse "credo", mas sim o excesso da "reza".

Por falar em reza...

"Para Vaticano, protestantes não são igreja" Eita! Eu num sei não. Agora a coisa pega: Fundamentalistas! Uni-vos! `Documento da Santa Sé reafirma Igreja Católica como única verdadeira e revolta clérigos de outras religiões cristãs.´ Li agorinha na Folha de S. Paulo.

Ah, sim, ia esquecendo de citar a fonte da charge: Jornal da Paraíba :: 11/07/2007.
Ô memoria!

Quero Aprender com você, leitor

Por Airton Soares

Criemos o seguinte cenário: Trata-se de um leitor assíduo de jornais. Não chega a ser um intelectual. Tenha-se em conta um leitor médio e que não tem preferência por nenhum jornal especificamente.

Todos os dias, de manhãzinha, ao chegar à revistaria, seu critério de escolha para a compra do jornal – seu orçamento só dá pra comprar um por dia – é a principal manchete da primeira página. Somente a principal manchete!

Diante dessas considerações, no seu entender, qual das manchetes abaixo estaria no agrado do leitor em tela? E por quê?

Hoje 20/07/2007

Correio Brasiliense
Avião da TAM voava com defeito grave

Estado de São Paulo
Falha no freio vira principal hipótese para queda do avião

Folha de São Paulo
Avião da TAM tinha falha na frenagem

Agradeço antecipadamente sua colaboração.

21 de julho de 2007

"Enquanto uns choram outros vendem lenços"



Por Airton Soares

“Enquanto uns choram outros vendem lenços.” Iniciar uma crônica citando uma frase, um provérbio ou alguma coisa do gênero, não é muito bem recomendável, segundo os olheiros profissionais da área. Temos de fazer as citações, de preferência, a partir do segundo parágrafo em diante. Recomendam-nos.

Não me importo. Gosto de seguir as estradas proibidas. Mas... `Qual é a minha?´ É pura e simplesmente, nesta quase crônica, cotejar duas épocas; duas Artes; dois Artistas. Um mestre da representação pictórica; outro da expressão verbal.

- Tenha a bondade Machado de Assis. O que você diria sobre a tragédia do Vôo TAM 3054? Gostaria que a sua análise tivesse foco na frase acima e na charge do nosso Sinfrônio.

- Diria o seguinte: Duas famílias. Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu jovem poeta; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.

Escrever não é tão difícil quando se está ladeado por duas feras passadas na casca do alho.

Ah, sim, leitor preciso dizer: O texto machadiano é parte integrante do livro Quincas Borba e adaptado por esse bloqueiro que acaba de vos digitar.

Que Deus nos proteja!
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* Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. http://airton.soares.zip.net/

20 de julho de 2007

Fico me segurando...

Por Airton Soares

Fico me segurando, mas não consigo só agradecer simplesmente.

Não posso mentir.

É que uma pontinha de vaidade (e sei lá se não é uma `pontona´) que é muito mais forte do que a razão, vai surgindo de mansinho como quem não quer nada... De repente, a seu bel-prazer e artimanhosamente (se esta palavra não existia, passa a existir agora), vai fazendo uma coceirinha gostosa no juízo da gente. É igual aquela coceirinha no ouvido quando tá sendo `cotonetizado´?

Tem nem comparação!

Já que não consigo mesmo dissimular esse comportamento que consta na lista dos sete pecados capitais, passo a palavra ao "Boca Linda", meu primeiro personagem: "Amigo Vianei, pode ficar tranqüilo que eu terei o máximo cuidado para que o calor desse aplauso não incinere a minha simplicidade." Muito obrigado.

Recebi & Agradeço

"Caro amigo Airton,

Quem me dera ter a sensibilidade natural dos verdadeiros poetas para retratar a natureza, como você fez ao contemplar o conteúdo dos jarros do seu mosteiro. Sua mãe está certa quando diz que a courama serve pra tudo, inclusive para inspirar os poetas.

Quanto à dimensão da crônica está de bom tamanho sim, não pelo espaço ocupado na rede de comunicação e disseminação do pensamento humano, mas pelo que de valioso está contido nele: suas idéias e estímulos poéticos.

Sou-lhe grato por compartilhar comigo sua criação literária.

Um abraço do amigo
João Gomes da Silva `Vianei´"

17 de julho de 2007

Serve pra tudo.Cura até trombose











Por Airton Soares

Acabo de descobrir uma nova profissão. A de fotógrafo ambiental. Detalhista e caprichoso é bom que se diga!

Pois você me acredita, que passei mais de quinze minutos me ajeitando(eu e câmara) e ajeitando as plantinhas.

Primeiro despenquei meia dúzia de moribundas folhas; em seguida posicionei melhor os jarros. Estavam sombreados. Poderia ter acionado o flash, mas não tem como a luz natural. Disse-me outro dia um amigo que trabalha no ramo.

Liquei o som. Os cientistas dizem que elas adoram música. Não é qualquer som de zabumba. São exigentes e sensíveis. Nasceram com os ouvidos talhados para a boa música.

E por fim, uma chuveirada. O leitor não precisa grelar os olhos para perceber que acabam de sair do banho. E... na hora do clic final, por força do hábito, ia dizendo: Atenção, todo "mundo" pronunciando "x". Nesse ínterim passava um transeunte. Me contive. Bateu a vergonha, mas bati as fotos.

Ah, sim, ia esquecendo: as celebridades fotografadas residem na varanda do meu monastério, no centro da cidade e atendem pelo nome de courama. São duas especimens (será que pluralizei correto?). Não sei dizer o nome científico e tampouco estou com disposição para pesquisar na net. Só sei dizer o que a minha mãe diz. "Meu filho, plante courama que é um santo remédio.... Serve pra tudo. Cura até trombose."

Para quem estava sem assunto, essa crônica tá de bom tamanho, mas quem vai falar sobre o "tamanho" da crônica é você, leitor, no espaço abaixo reservado aos comentários.
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* Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. http://airton.soares.zip.net/

15 de julho de 2007

Li por Aí mundão afora



Por Airton Soares

LOUCURA I
Erasmo de Rotterdam ou Erasmo de Roterdã, (nascido provavelmente a 27 de Outubro de 1466 em Rotterdam e falecido a 12 de Julho de 1536 em Basiléia) foi um teólogo e um humanista neerlandês e autor do clássido ELOGIO DA LOUCURA.
Saiba +

LOUCURA II
Se alguém te chamar de louco
bendiz o teu desatino
e ensandece mais um pouco
posto que és louco divino.
Batista Soares

LOUCURA III
Em todo pessimismo existe sabedoria,
mas é uma sabedoria estéril.

Em todo otimismo existe loucura,
mas é uma loucura criativa.

E é dessa loucura que o mundo se ressente.
Sejamos loucos com responsabilidade.
Airton Soares

SAFADOS
Borracharias por todo o Brasil alugam pneus novos para pobretões irresponsáveis levar o carro para ser aprovado nas vistorias. Não tens dinheiro, cara? Anda a pé. Te enxerga.
Prates

FALTA DIZER
Muita gente anda circulando em busca de emprego. É bom que a turma não esqueça que deve conjugar duas virtudes para chegar ao ponto: vontde e qualificação. Sem essas duas "fadas", vai ser difícil. Mas tem uma coisa: as duas dependem só da pessoa. Não adianta culpar terceiros. Idem

Acesse e leia mais

14 de julho de 2007

"Me acostumei com você"

Por Airton Soares

- Oi, "Me", tudo bem?
- Tudo.
- Demorou. Não posso negar, mas..
- Mas o quê?
- "Me acostumei com você"... assim.
- Assim?!
- Assim, fora da norma culta. Todo chique iniciando frases e mais frases. É, a língua está menos tensa. Era tão clássica. Você vai acabar virando Cult.

- Tem nem perigo! Mas preciso dizer: poderia, se quisesse. Veja bem: nesse momento estou vomitando o tédio do sucesso; faz um tempão que sou slogan dos `Mercadinhos São Luiz´. E agora, na área palaciana. Me dou nota dez! Mas uma coisa que eu num faço `ìmpêin´: entrar pra norma culta. Quero ser livre. Está lá e cá, entre o povão e o poder.

Foto/Arte: Airton Soares
DEBATE:: "Último entrevistado da série `Debates Especiais Grandes Nomes´, o governador Cid Gomes (PSB) deu nota três para o seu desempenho à frente do Executivo numa escala de zero a dez."(...) Capa /manchete -
Jornal O Povo, quinta, 12/07/2007.

13 de julho de 2007

SUCRO - Etimologia

Por Airton Soares

Li ontem
no Diário do Nordeste. "O setor sucroalcooleiro no Ceará têm seus custos muito elevados..."

O "Houaiss" diz que
sucroalcooleiro é um adjetivo referente ou pertencente ao açúcar e ao álcool. Fui lá de novo (no Houaiss) e não encontrei o verbete SUCRO.

Foi aí que eu
me lembrei de consultar um site `pancada´ no assunto Origem da Palavra - Consultório Etimológico. (faz parte dos linques do blog http://airton.soares.zip.net

“Caro professor: Qual a etimologia da palavra sucro? Em menos de 24 horas recebi a resposta:

"Airton
`Sucro´ não deve ser representado como um verbete separado, pois é um elemento de composição antepositivo.

Deriva do Francês SUCRE, do Latim Medieval SUCCARUM, do Árabe SUKKAR, do Persa SHAKAR, do Sânscrito SHARKARA, "pedra moída".
Desta vez deu para recuperar uma história longa, não? "

Urra! `Senti firmeza´.
Elogiando: aqui no Ceará a gente diz assim: Esse professor é um "caba da peste."

11 de julho de 2007

Engolindo Sapo e a Literatura




Por Airton Soares *



”Os respingos da tua ignorância não passam pelo meu guarda-chuva de sabedoria.`”

A frase de pára-choque de caminhão, acima, me fez lembrar um desabafo que eu escrevera há bastante tempo.
No final do expediente, num certo dia, numa certa empresa, o chefe chegara e soltara (*) os cachorros em cima de mim, na frente de todos meus colegas.

Engoli o sapo!
Meu consolo: Em casa, pego meu diário e escrevo em letras graúdas e de cor vermelha.

Ligue pra isso não, cara! Quanto mais atenção a gente dá a um fato, mais ele cresce de importância. Além do que, trata-se de um sujeito `brucutúlico´, com atitudes e comportamentos estritamente tribais. Perca sua noite de sono, não! E, cá pra nós, mesmo após a digestão do sapo, é desperdício manchar de instrução uma estupidez tão autenticamente pura. Fique na sua!

Fechei o diário e dormi numa boa, a noite toda!

Inventei essa história há pouco, mas bem que poderia ter sido verdade. E, sabe-se lá, se não foi ou é a sua verdade, leitor? Barris Steven, em seu livro Não apresse o rio, ele corre sozinho, tem uma passagem assim: Fantasia, diz o homem que lê fatos ao homem que lê ficção, desconhecendo que os fatos são fantasias e, mesmo que não o fossem na hora em que são escritos, passam a ser na hora em que são lidos´. É por essas e outras que me amarro em literatura!

(*)" o chefe chegou e soltou..." é muito mais musical, gostoso de pronunciar. Escrevi assim, mas meu revisor, que entende do assunto, alterou para "o chefe chegara e soltara". Horrível! Perdeu o requebrado da frase. O que eu queria mesmo era provocar chiado na frase. Só isso, mas a gramática não permitiu. Vote!
* Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. http://airton.soares.zip.net/

10 de julho de 2007

Viciado em Jornais

Por Airton Soares


"O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.

Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.
Poema do Jornal - Drummond.

E... quando o sujeito é viciado em jornais, não pára por aí essa doce música mecânica que vem da sala de linotipos.

Sou muito afeito às leituras virtuais, mas os meus ouvidos não dispensam, de manhãzinha bem cedo o som-chegada, em forma de baque, do meu jornal `DePapel´ cheirando à tinta fresca.

9 de julho de 2007


O arista de rua
e o poeta

Por Airton Soares


De mim, o artista de rua
um cachê recebeu
a Ortobom achou foi bom
no meu blog apareceu
e, em alto e bom som,
a Ele agradeci o dom
que de graça me concedeu.

Foto: "AS" Produções
Sossegado e bonito Centro de Fortaleza

8 de julho de 2007

cena I

AnoS
55


Por Airton Soares


- AS, em que consiste a vida?

- A vida consiste em cuidar de todas as coisas que nela há.

- E o que é cuidar?

- Cuidar é ter em alta consideração.

- E o que é ter "em alta consideração?"

- É ter con + sider + ação pelo outro - é respeitá-lo. Simbolicamente é soerguê-lo até ao sidério... À luz. Para que você possa iluminar alguém, precisa estar iluminado... Ter conhecimento da estrada. Todo mundo sabe disso, no entanto...

- E por que amanheceu tão filosófico?

- Porque hoje é o Dia da minha `inauguração´. Dia para se refletir... Fazer balanço.

- Então você é canceriano?

- Sim, canceriano, sensível até dizer chega! Nasci no dia 08 de julho de 1952, em Ipu - Ceará.

- E aí?

- E aí, é que cheguei a conclusão de que sou uma pessoa feliz, mas que precisa se cuidar mais. Cuidar mais do corpo - mente e alma.

- Uma mensagem final.

- "A vida só gosta de quem gosta da vida."

- Parabéns e muito paz. Fica com Deus!

- Obrigado meu anjo. Volte sempre. Entre sem bater.