23 de agosto de 2007

Eu era feliz e...




Airton Soares

Você está apreciando, leitor, em primeira mão, uma xilografia do jovem artista Sebastião Quintela. Sebastião pertence à nossa família. Entre diversos papagaios, peixes e cavalos, demonstrados por ele, ontem no Sítio da "Tia Ozana" (ver post Dia dos Pais), essa de pronto me agradou.

Quando vi a paisagem, me veio voando a lembrança da minha adolescência; as farras/viagens de trem que fazíamos - meus primos Chico Antônio (Joca), Francisco José, Chiquinho e eu - de Fortaleza a Ipu. Férias! Festas! Fantasias! Era nosso mundo. Só nosso!

Ao olhar a gravura, é como se eu tivesse vendo o cheiro do reboliço de gente quando o trem parava em cada estação.

- Oia o milho, Vai ata...vai ata; Olha a manga coité; Eu tenho a tapioquinha de coco. Iô creme!

Homens e mulheres de faces encarquilhadas; meninos caneludos e remelentos como diria Moreira Campos, aproveitavam os poucos instantes da paradinha da `Maria Fumaça´, para garantir a sobrevivência do dia.

Não pense que a gente pensava isso na época. A constatação do quadro de seca e miséria só veio muito depois dessa fase paradisíaca!

Mas... por bem ou por mal a gente cresce e tudo isso vai ficando para trás e novas farras, festas e fantasias vão ocupando o vazio de outrora. Terá razão Honoré de Balzac quando disse que o bom da vida são as ilusões da vida?

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