28 de abril de 2007

O Orador e a Formiga

Por Airton Soares

A oratória se propõe
a ensinar a falar bem
e, quem aprende se impõe
falando o que lhe convém.

Quem prima pelo que fala
tem mais chance de convencer
pois sabe a hora que cala
e sempre faz acontecer.


“Ninguém prega melhor do que a formiga, e ela não diz nada.” A formiga não sai de manhã cedinho, pela estrada afora, sofregamente alardeando à sua comunidade que vai trabalhar. Com sutileza e penetração de espírito, faz uma rápida e eficaz vistoria nos seus instrumentos de trabalho e ... Mãos à obra.

A formiga não perde tempo “falando” às outras: - Atenção! Todos os olhares para mim. Eu sou a maior! Já carreguei 756 folhas para o depósito de suprimentos.
A formiga, simplesmente, não perde tempo. Caladinha, trabalha... trabalha... Dá exemplo. O seu “discurso” é determinação e suor despendido, incansavelmente, durante dias... dias e noite. O seu discurso é produtividade!

Ninguém prega melhor do que a formiga, e ela não diz nada. Simplesmente mata a cobra, mostra o pau, espicha o couro e extrai o veneno... Convence, persuade. Mostra serviço.
Assim deve ser o orador: falar pouco, escutar a platéia.
O que eles querem de mim? Como posso interagir com o meu público sem prejudicar o desenvolvimento da minha palestra? Meu discurso está mais para “linear” ou “sinóide”?
E o tipo de linguagem utilizada? Estou realmente comunicando? Dou vida às palavras?

Assim deve ser o orador: preparar sua “folha” de serviços, planejar; treinar, treinar, incansavelmente, as falas expressivas com suas respectivas pontuações; internalizar bem o objetivo, a demonstração, a prova, possíveis refutações e fechar de maneira marcante... Impressiva... Todas as etapas do discurso.

Você tem dificuldades em falar em público? Quando alguém o convida para falar com ou sem microfone, quais as sensações? Tensão, nervosismo, timidez, olhar perdido, boca seca, tremedeira, mãos suadas, vontade de desistir, adrenalina, “apostando” corrida nas veias?
“Não se desespere”, diz a especialista em comunicação Eunice Mendes, “se tudo isso acontece. Você é absolutamente normal. Falar em público inclui-se entre as situações que mais geram ansiedade, preocupação e sentimentos de impotência para gerenciar os próprios atos.

O medo gera uma proporção desmedida de perigo”. Esse comportamento, afirma ainda Eunice, “é a forma que o corpo e a mente encontram para se proteger das ameaças. Funciona como DESNUTRIÇÃO EMOCIONAL, que pode ser tratada e curada”.
Não se desespere...

"Plante o bosque ou corte a lenha
vá em frente ou siga atrás
importa é que você tenha
o domínio do que faz."

Se quiser ter boa memória...

Por Airton Soares (*)

SEM SEGREDO

Foi-não-foi, após o término de minhas palestras, sou elogiado por ter boa memória. Sem segredo. Se você quiser ter boa memória, necessariamente, tem que estar em dia com o "IMS". Chega!, AS, chega de tanto imposto.

Não, não, pessoal... IMS não é Imposto sobre Mercadorias Sólidas, se assim você pensou. Vamos explicar por partes:

Interesse

Se você não se envolve no que faz; não procura mergulhar na essência das coisas pode até alcançar resultados. E se... Medíocres, com certeza. E neste mundão competitivo a média não resolve. Primeiro lugar com destaque e olhe lá! Síntese: quem realmente quiser ter boa memória o primeiríssimo passo é interesse = Inter+essere, ou seja: “estar entre a essência”. Quanto tempo de exercícios diários? O que gostaria de memorizar? Disciplina... Disciplina. “Ralação”.

Motivo

Muito bem. Agora que você está envolvido nas ânsias e ardores dos métodos mnemônicos, vem a seguinte pergunta. E aí? Aonde quer chegar? Quais seus propósitos? Por que a motivação? Ah, tenho realmente interesse em decorar o nome dos meus clientes. Todo mundo gosta de ser chamado pelo nome. Assim espero vender mais. Eis o meu motivo. Gostei. E aí?

S...
Por que o suspense? Faz parte. Já sei: "S" de sensibilidade. Está dentro do contexto, mas sensibilidade é uma palavra “afluente”. Então é "S" de “Saco”. Também é afluente. Busque o "rio principal". Quando temos “saco” pra fazer alguma coisa geralmente estamos motivados.

A RESPOSTA

Só mais alguns `salpicos´ de paciência, leitor. Antes da resposta, precisamos saber um pouco sobre o funcionamento da memória. Segundo os estudiosos, possuímos três classes distintas de memória com diferentes funções.

1. memória imediata;
2. memória a curto prazo e
3. memória a longo prazo.

Somente aprendemos aquilo que fica armazenado na memória a longo prazo.

IMPORTANTE

Tudo o que queremos aprender tem de passar primeiramente pelas instâncias da memória imediata e depois pelo curto prazo. Se dentro deste espaço de tempo a informação não conseguir um “gancho” ou uma associação com algo já armazenado (idéias), perder-se-á.

A passagem da memória imediata para a de curto prazo produz-se quando o impulso elétrico se relaciona através de associações com algo já armazenado e se transformou em matéria: numa matriz molecular: este processo pode durar até 20 minutos. Finalmente, a partir da matriz molecular, constrói-se moléculas de proteínas que contém uma codificação da informação, o que permite recorrer a ela a qualquer momento.

A passagem de informação de uma instância da memória para uma outra pode ser acelerada, atrasada ou bloqueada. Acelera-se a informação: - quando se produzem associações, ou seja, quando a nova informação pode “conectar-se”a uma “imagem” que já se encontra armazenada no cérebro; Atrasa-se a informação, quando nos oferecem muitas informações num curto espaço de tempo (e que não é o nosso caso. Já estamos concluindo). Bloqueia-se a passagem de informação, quando há uma situação de medo ou choque.

VOCÊ JÁ SABE OU DESCONFIA

Pronto. A esta altura, você já sabe o significado do “S” ou desconfia. Não tivemos a intenção de fazer nenhum trocadilho mas o “S” quer dizer SIGNIFICADO. Significado vem de Signo (sinal) e dentro do vocábulo signo temos a raiz grega “gn” que quer dizer conhecimento. Daí ignorante (aquele que desconhece); cognoscível (aquilo que se pode conhecer). E por aí vai... Portanto, através de sinais diversos (linguagens), atribuindo significados ( associando idéias ou “ganchos”) podemos recuperar fatos, dados, etc. I. M. S. São fatores indispensáveis para se obter boa memória.

CHEGAMOS AO FINAL

Finalizo contando um caso familiar. Não acreditem: o meu irmão tem a memória tão ruim, tão ruim que ele esqueceu de que tinha a memória ruim e começou a se lembrar de tudo... Pode um negócio desses?! Parece piada...

(*) Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. Mais informações: http://mente.zip.net

26 de abril de 2007

pá...LAVRAando 03

Humor:: Besta

Por Airton Soares

HUMORISMO
definição de Leon Eliachar

"Humorismo é a arte de fazer cócegas no
raciocínio dos outros. Há duas espécies
de humorismo: o trágico e o cômico.
O trágico é o que não consegue fazer rir;
o cômico é o que é verdadeiramente
trágico para se fazer. " http://www.releituras.com/biografias.asp

Participe! Envie pra gente mais definições de humor, riso e assemelhados. Envia bêsta, dêxa de ser bêsta!

Um recadinho pro leitor que não está familiarizado com o nosso linguajar popular: "Deixa de ser besta, besta!", nesse contexto, significa uma expressão abarrotada de feição motivadora e extremamente carinhosa. Já nesta frase, o vocábulo `besta´(ê) é o `reverso da medalha´, pois tem a conotação de tolo, ingênuo, beócio´: "e eu aqui, horas...e horas... esperando por tu, feito besta"; "Não aceito palpites de um besta qualquer"


E para finalizar esse proseado, que não estava no `iscrípiti´, se aboleta muito bem, aqui, transcrever a sextilha de Juarez Barroso In: Mundinha Panchico e o resto do pessoal.

" Cada um pai de família
fazia a filha contar
quem era o pai da criança;
ela respondia: Oscar,
o rapaz besta daqui,
que não sabe namorar."

Fica com Deus
Besta, dêxa de ser besta!
e
até + `´V´

23 de abril de 2007

Procrastinar e Postergar

...LAVRAando 02
Procrastinar e postergar

Por Airton Soares

A forma verbal procrastinar, quase sempre é confundida com a forma verbal postergar. Ambas denotam preterição, mas não são formas sinônimas. Vamos à etimologia: Procrastinar: PRO[ latim] = A favor. Ex. Precisamos analisar os prós e os contras, não é assim que se diz? E CRAS [latim]= o dia seguinte. Por isso, o procrastinador está sempre deixando as tarefas para o dia seguinte. E postergar? É aquele sujeito que sempre deixa as tarefas para depois. Depois eu faço isso, depois eu faço aquilo. Ou seja, tudo será resolvido na posteridade.

No frigir dos ovos, podemos dizer que procrastinar e postergar são gêmeos quase univitelinos. Mas se tivermos de escolher o melhor comportamento, o procrastinador seria o eleito, pois como foi dito, ele sempre deixa as tarefas para realizar no dia seguinte, enquanto que o seu “irmão” é um eterno indefinido.

13 de abril de 2007

pá...LAVRAS preciosas

PÁ...LAVRAndo - 01

Por Airton Soares (*)

paLAVRAS precisosas
Lugar de onde se extrai o ouro semântico

Nós, escritores, hackers do inconsciente coletivo; caçadores de novos significantes e significados, temos necessidade e compromisso (conosco e com a sociedade) de penetrar visceralmente nas palavras para extrair, reinventar néctares semânticos. E quanto mais familiaridade com os apetrechos lingüísticos (gramática,estilística e assemelhados) maior a probabilidade de sorver o encanto e o sortilégio das palavras.

O Professor M. Murry retrata muito bem esta situação quando diz que “o escritor está perpetuamente procurando forçar a linguagem a carregar mais do que devia, incessantemente exercendo uma espécie de delicada violência sobre a linguagem”.

E o exercício dessa “delicada violência”, caminho nem sempre adocicado, é estar “conectado” permanentemente com as formas lingüísticas e estudar a expressividade delas, isto é, a sua capacidade de transfundir emoção e sugestionar os nossos semelhantes.

Murry diz ainda que o “motivo real para o escritor assim proceder é o seu desejo, seu intuito de aprimorar ao máximo seu contexto. É como se estivesse numa guerra, mas a vitória se ele a consegue é também a vitória da linguagem que se vê assim enriquecida e embelezada”.

O escritor é um garimpeiro incansável de palavras preciosas (belas adormecidas!), é estúdio ambulante, é incansável chargista vocabular de plantão de suas emoções, é esponja sensível que absorve o que vê e o que não se vê. Por tudo isso, podemos afirmar:

Escravo das emoções
Papel, palavra, leitor
Testemunhar o seu tempo,
Eis a função do escritor.

(*) Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. Mais informações: http://mente.zip.net & http://airton.soares.zip.net

9 de abril de 2007

Equilíbrio E M O C I O N A L

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atendimento a clientes

Por Airton Soares

Hoje no laboratório, fui logo dizendo - jocosamente - à senhorita responsável pela coleta de sangue, que trazia paz somente na cor do jaleco acrilicamente imaculado. Trajava uma cara sisuda e indiferente.

- Senhorita, apenas três palavrinhas. Apenas três. Repita, por favor. Não vai doer.
- "Não vai doer".

Enquanto ela desajeitadamente repetia a frase, uma sombra de sorriso aflorava-lhe da face.

Foi-se a sisudez da moça e o meu medo da furada da agulha. Dupla bênção. Eu, por não ter sentido dor e não ter perdido as estribeiras diante a frieza do atendimento; Ela, por ter reposto parte do seu estoque de simpatia, suficiente para abrandar a ansiedade dos vindouros pacientes. Fiz a minha parte... E deu certo!
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4 de abril de 2007

Tá quente, né?

Por Airton Soares (*)

A gente reclama tanto do tempo, mas sem ele parece que não saberíamos iniciar uma conversa... Na fila do ônibus, banco, consultório, reunião ou coisa parecida:

- Tudo bem? - tudo bem! e você? - tudo bem!

(Alguns segundos depois )

- E aí tudo bem?
- tudo bem.
- Tudo bem mesmo?
- Tudo beeem!

O clima é de muita ansiedade. Olhamos, concomitantemente, pro chão, teto, de lado, pra canto nenhum e... nada! o que vou falar meu Deus!

Ah! se o problema fosse somente esse. Além de não encontrar assunto, não lembramos do nome. Que tragédia! E tome esforço para lembrar do nome e arranjar assunto.

É chegada a hora. O clima, artifício escolhido para introduzir esta crônica, entra em ação refrescando, pelo menos, o vexame da falta de conversa.

- Ô calor! Tá quente, nê?
- É verdade. Muito quente. Aqui tá quente imagine em Sobral, e outras cidades labaredas. Hélio Passos diz que nesta época o calor é forte, tão forte que, lá para às 13 horas, até a sombra se defende - fica debaixo de nossos pés, bem abrigada. Mas, acho que vai chover.

- É... também acho.

De súbito, um dos interlocutores pega a "carona" e entra no "clima político" e vai "simbora"... Ufa!

(*) Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. Mais informações: http://mente.zip.net

2 de abril de 2007

Estou me vendo de D O R

EXPRESSÃO POPULAR

Por Airton Soares

Esta expressão é muito usada aqui no Ceará. Dela, há muito, tenho vontade de me aprochegar. Só hoje o faço. “Está se vendo de dor” é estar com muita dor. Até aqui tudo bem! A minha curiosidade recai sobre o verbo `ver´. Como é se ver de dor? Olho no espelho e vejo meu rosto triste. Feições contraídas. É isso? Ou simplesmente imagino? Se a dor é miúda, o sujeito nem se dá conta, mas se a dor é grande, é tipo assim... A gente saindo do próprio corpo e observando um outro corpo – nosso - só de dor. Será que é assim mesmo? Fui assertivo? Bah, o leitor é que vai dizer, se assim desejar.

Motivação: Busca sem LIMITES


Mês passado fui fazer palestrAShow* para o pessoal da CAMED, Caixa de previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil, abordando o tema Motivação: Busca sem limites . Na ocasião, foi divulgado meu livro O Mundo Fora de Esquadro e o cordel, também de minha autoria, Ancião Cidadão Seus Direitos na Palma da Mão, baseado no estatuto do idoso. Casa cheia. Muita interação do público. Atingi plenamente o obejtivo da palestra, segundo Mildred, coordenadora RH. E... sou feliz por realizar, mais uma vez, um trabalho em forma de Arte.


















* palestrAShow: Fiz o personagem Biury,` O Boca Linda´.
Saiba mais no http://mente.zip.net/



















palestrAShow

CAMED


Recebi & Agradeço comentário, via email, de Mildred Bezerra , Analista de RH da Camed.

"Airton, Realmente foi demais! Todos nós adoramos. Inclusive os comentários positivos ainda estão rendendo aqui na Camed. Você é um verdadeiro artista e está de parabéns! Biury ou você, você ou Biury, não sei... Apenas sei que essa química que há entre vocês dois foi fundamental para provocar bastante reflexão em cada um de nós e com certeza, saímos de lá um pouco diferentes."

1 de abril de 2007

É Necessário Está Sempre Embriagado

É necessário estar sempre embriagado. (1) Tudo está aí: é a única questão. Para não se sentir o horrível fardo do Tempo que quebranta os vossos ombros e vos curva em direcção à terra, deveis vos embriagar sem trégua. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiserdes. Mas embriagai-vos.

Charles Baudelaire, in 'Pequenos Poemas em Prosa' Fonte: Citador

(1) "Tudo está aí". Cabe parafrasear Cecília Meireles: O instante existe e a nossa vida está completa. Apenas, não vivemos em plenitude; falta a nós a `embriaguês sem trégua;´ Falta a nós, interesse- inter + essere -, envolvimento na essência das coisas.

Ei, seu `AS´, não seja uma pessoa morna e indiferente às vicissitudes mundanas. "Cante, dance, sorria e chore". Dê um sentido à sua vida. Finque rastros... de luz! Abra caminhos... Cumpra sua missão! Viu? Vi. AS.

Gosto de C H A R G E

leitura

A leitura nos ensina

a separar o joio do trigo,

para que no campo da vida,

floresça homem e não mendigo. AS.

Charge do jornal Diário Catarinense :: Zé Dassilva :: 30/03/2007.

Gosto de charge. Dos desenhos humorísticos, é o que mais me apetece. O entendimento da charge requer do leitor constante atualização dos fatos. Não adianta só saber que Varig e Gol são duas companhias áreas. Adianta, sim, eu também saber que a Gol meteu um belíssimo gol ao comprar a Varig. Dia desses, ministrando palestra em um colégio particular, para alunos do 2º grau, mostrei um painel de charges retiradas de vários jornais e pedi para que eles as interpretassem. O índice de acerto foi mínimo, mesmo adjutorando-os com pistas. A turma voou alto... Muito alto! AS.