31 de julho de 2007

Menina Bonita e triste


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Por Airton Soares

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Olá menina bonita e triste. O que fizeram com você ou deixaram de fazer? Fique à vontade... Relaxe! Não, não me entenda mal. Relaxe... Pra desabafar, contar suas mágoas, mas fique aí encolhidinha do jeito que você está. É melhor assim.

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Tem pra mim que não passei um nadinha de consistência nesse meu pedido. Bah! mudemos de assunto. Olhos verdes de caldo de cana... De engenho. Alguém já fez uma comparação dessas? Não, ninguém!

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Lembro-me agora do Dr. Mendonça, um personagem do conto Miss Dollar do escritor brasileiro Machado de Assis. Ele, o doutor, se pelava de medo de todas as mulheres de olhos verdes. Imagine vendo você assim... Pelada! Segundo o médico, a cor verde é a cor do mar; sinal de tempestade! Daí evitar todas as mulheres de olhos verdes. Que coisa mais ridícula!

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Machado, referindo-se ao médico, aconselha que o aceitemos com seus ridículos. "Quem não os tem?" E acrescenta: "O ridículo é uma espécie de lastro da alma quando ela entra no mar da vida; algumas fazem toda a navegação sem outra espécie de carregamento." No final da história dá tudo certo. Dr. Mendonça e Margarida... Leia o conto. Excelente! Aliás, quase tudo de Machado é Imperdível!

É... Moça bonita e triste, tenho de confessar a minha frustração. Como se protege! Como se tranca! Parece ostra. Não consegui arrancar de você sequer um pensar de sorriso, mas tentei. Desconfio de que você tem parentesco com a Monalisa. Tem?

Esta menina bonita e triste eu a trouxe de ESCRÚLOS PRECÁRIOS : : Iraldo

Criatividade

É a besta!

li por aí.

Surpreendido, o marido pergunta à mulher:

- Que fazem aqueles cinco homens, à espera, diante do gradeamento de nossa casa, com malas?

- Meu querido: eu quero fazer uma grande limpeza à casa, antes das férias. Por isso convidei cinco vendedores de aspiradores, de marcas rivais, e vou pedir a cada um fazer a sua demonstração, cada um em quartos diferentes da nossa casa...

29 de julho de 2007

Idéia peituda


Airton Soares

A idéia do torcedor me transportou às lembranças de pré-brochote no interior quando,"carrapichicamente", pedia ao meu pai um presente que estava muito além das suas possibilidades pecuniárias. Ele me deixava mais esperançoso ao dizer: “É só isso?! Qual é a cor do carro que você quer ganhar?” Ingenuamente respondia. Ainda bem que a gente cresce.

É só isso? Qual o tamanho e a cor do peito que você deseja ver caro desportista `amante´ do futebol? Olhe moço, esta prática estaria muito além das possibilidades morais vigentes. No entanto, é bom enfatizar: trata-se de uma idéia peituda e por demais instigadora.

Já pensou, a expressividade do público pagante em cada jogo! E... do jeito que anda esse mundão `$ifrônico´*, sabe-se lá!

Vou findar a conversa. Só quero dizer mais uma coisinha: um pouco de fantasia e jocosidade num final de um expediente estressante, se não fizer bem, mal é que não faz.

* $ifrônico (palavra inventada)... de cifra

28 de julho de 2007

Falando de Música II

Airton Soares

A preferida - Lendo hoje à tarde na varanda do meu `monastério´, de repente escuto uma melodia lá longe. Ela vem chegando de mansinho e, como ondas aromáticas, se infiltram docemente em meus ouvidos, coração, fígado e rins.

“Für Elise”, a minha preferida de todas entre todas, do mestre Beethoven. Dona Marinês, a vizinha que mora em frente, voltou a tocar piano.

Ah, Dona.... nem queira imaginar! “Für Elise” é uma bagatela e bagatela é coisa sem importância. Que nome mal empregado. Pois para mim é muito importante. Muito... Muito! Na minha estreiteza musical essa palavra não caberia aí. Bah, isso é de somenos importância.

Falando de Música I

Por Airton Soares

A definição:

Forma de Comunicação não-verbal que surgiu antes mesmo do homem aprender a falar.

A frase:
"Quem não sabe dançar, culpa a irregularidade do piso". Podemos identificar nesta frase um pretexto {justificação}, mecanismo de defesa mais conhecido como racionalização. Freud explica melhor. Quem justifica demais não evolui. De todos os mecanismos de defesa apontados por Freud, esse é o que está mais presente em nossas atitudes e comportamentos. Lembram daquela historinha da raposa e as uvas?

A expressão mais conhecida:
Dançar conforme a música ou do jeito que tocar eu danço. Estas expressões indicam achar-se a pessoa disposta a enfrentar todos os obstáculos, que "topa toda parada".

27 de julho de 2007

Pai coruja... "E quem não é?!"

Por Airton Soares

"A beleza não só consiste em sinuosas curvas,
ou mesmo depende de uma imaginação
aguçada para ver o outro,
mas sobretudo, de um espírito que sente
e um coração que fala. E isso é que conhecemos
popularmente como beleza interior." ::
Julius Quintella.

Um dia cheguei pra ele e disse: Julius decida o que você quer da vida e seja persistente na sua escolha. Se precisar, ande até com um pedaço de carbureto no bolso, mas amadureça com rapidez, sem perder o doce sabor da juventude. Se não gosta de estudar, descubra qual a sua paixão. Seja lá o que for, siga o seu coração. E foi o que ele fez.

Àquela época tinha 16 anos. Começou a desmontar sucata de rádio, mexer em computador (hardware) e o diabo a quatro... Já trabalha na área; no próximo ano, concluirá a faculdade de informática. Gosta de escrever e leva jeito para filosofia. Ah, hoje ele está com 23 anos e cabeça de 28.

25 de julho de 2007

Flagrante e Fragrante. Dúvida, nunca mais!

Por Airton Soares

Pensei. Um arranjo mnemônico com a palavra flagrante é sopa no mel e quem vai me adjutorar é o cantor Genival Santos, com sua música Eu lhe Peguei no Flaga. Preciso somente confirmar o nome da música em algum site especializado.

Surpresa: Não encontrei nada com a palavra flaga. Tive que apelar à minha amiga Luciana, especialista neste gênero musical.

Encasquetei, pois a primeira estrofe da música inicia-se apresentando uma irrefutável idéia de flagrante. "Eu lhe peguei no fraga" ...Você beijando um cara.” Houve uma evidência. A pessoa foi surpreendida praticando, digamos assim, um flagrante delito, já que assumira um compromisso afetivo com o personagem-cantor.

A princípio vamos supor que Genival empregou a palavra fraga no sentindo denotativo que traduzindo ao pé da letra seria assim: Eu lhe peguei na rocha, numa pedra grande. Totalmente fora de cogitação.

Ainda poderíamos inferir que o compositor se utilizou de “fraga”, redução giriesca da palavra fragrante (fragrância, perfumado), mas também estaria em descompasso com o contexto.

Por fim, podemos concluir que a expressão giriesca mais adequada para a música seria “flaga” (redução de flagrante) e não “fraga” (redução de fragrante, fragrância).

Agora, temos que admitir que FRAGA, aos ouvidos do coração, soa muito mais contundente, enquanto que flaga nos leva a pensar que é coisa de somenos importância pegar a namorada beijando um cara. Mas... Isso são devaneios semânticos fonológicos do poeta que vos digita esta crônica.

É... Está mais do que na hora de cantarmos em alto e bom som, do jeitão que ela é, a clássica música brega brasileira, Eu lhe Peguei no Fraga, de Genival Santos. Som na caixa...

Eu lhe peguei no fraga
E não quero explicação
Você beijando um cara
Com que cara?
Vou lhe dar o meu perdão (...)
Não, não, não
Você não tem coração
Não, não (...)

Todo mundo fazendo a coreografia...
Olha as mãozinhas pra cima ... Pra lá e pra cá!

22 de julho de 2007

Exercitando a memória















Por Airton Soares

Esta charge me faz lembrar... É um excelente exercício para a memória, leitor. Garanto-lhe. Faço isso, incansavelmente, todos os dias. Diante uma palavra, uma frase, um texto quer seja verbal quer seja não - verbal, pergunto a mim mesmo: Isto me faz... Tenho obtido resultados incríveis. Matei a cobra. Agora mostro o pau:
Nós, os brasileiros, temos espírito festeiro. Tudo termina em samba. A propósito da charge acima, me veio à memória uma trova que fiz quando a inflação brasileira estava bem pertinho das nuvens.

Ei-la:

De nada vale a inflação
é pagode o tempo inteiro
mulher, samba e seleção
eis o credo brasileiro.

A inflação baixou, e o credo continua. Não condeno esse "credo", mas sim o excesso da "reza".

Por falar em reza...

"Para Vaticano, protestantes não são igreja" Eita! Eu num sei não. Agora a coisa pega: Fundamentalistas! Uni-vos! `Documento da Santa Sé reafirma Igreja Católica como única verdadeira e revolta clérigos de outras religiões cristãs.´ Li agorinha na Folha de S. Paulo.

Ah, sim, ia esquecendo de citar a fonte da charge: Jornal da Paraíba :: 11/07/2007.
Ô memoria!

Quero Aprender com você, leitor

Por Airton Soares

Criemos o seguinte cenário: Trata-se de um leitor assíduo de jornais. Não chega a ser um intelectual. Tenha-se em conta um leitor médio e que não tem preferência por nenhum jornal especificamente.

Todos os dias, de manhãzinha, ao chegar à revistaria, seu critério de escolha para a compra do jornal – seu orçamento só dá pra comprar um por dia – é a principal manchete da primeira página. Somente a principal manchete!

Diante dessas considerações, no seu entender, qual das manchetes abaixo estaria no agrado do leitor em tela? E por quê?

Hoje 20/07/2007

Correio Brasiliense
Avião da TAM voava com defeito grave

Estado de São Paulo
Falha no freio vira principal hipótese para queda do avião

Folha de São Paulo
Avião da TAM tinha falha na frenagem

Agradeço antecipadamente sua colaboração.

21 de julho de 2007

"Enquanto uns choram outros vendem lenços"



Por Airton Soares

“Enquanto uns choram outros vendem lenços.” Iniciar uma crônica citando uma frase, um provérbio ou alguma coisa do gênero, não é muito bem recomendável, segundo os olheiros profissionais da área. Temos de fazer as citações, de preferência, a partir do segundo parágrafo em diante. Recomendam-nos.

Não me importo. Gosto de seguir as estradas proibidas. Mas... `Qual é a minha?´ É pura e simplesmente, nesta quase crônica, cotejar duas épocas; duas Artes; dois Artistas. Um mestre da representação pictórica; outro da expressão verbal.

- Tenha a bondade Machado de Assis. O que você diria sobre a tragédia do Vôo TAM 3054? Gostaria que a sua análise tivesse foco na frase acima e na charge do nosso Sinfrônio.

- Diria o seguinte: Duas famílias. Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu jovem poeta; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.

Escrever não é tão difícil quando se está ladeado por duas feras passadas na casca do alho.

Ah, sim, leitor preciso dizer: O texto machadiano é parte integrante do livro Quincas Borba e adaptado por esse bloqueiro que acaba de vos digitar.

Que Deus nos proteja!
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* Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. http://airton.soares.zip.net/

20 de julho de 2007

Fico me segurando...

Por Airton Soares

Fico me segurando, mas não consigo só agradecer simplesmente.

Não posso mentir.

É que uma pontinha de vaidade (e sei lá se não é uma `pontona´) que é muito mais forte do que a razão, vai surgindo de mansinho como quem não quer nada... De repente, a seu bel-prazer e artimanhosamente (se esta palavra não existia, passa a existir agora), vai fazendo uma coceirinha gostosa no juízo da gente. É igual aquela coceirinha no ouvido quando tá sendo `cotonetizado´?

Tem nem comparação!

Já que não consigo mesmo dissimular esse comportamento que consta na lista dos sete pecados capitais, passo a palavra ao "Boca Linda", meu primeiro personagem: "Amigo Vianei, pode ficar tranqüilo que eu terei o máximo cuidado para que o calor desse aplauso não incinere a minha simplicidade." Muito obrigado.

Recebi & Agradeço

"Caro amigo Airton,

Quem me dera ter a sensibilidade natural dos verdadeiros poetas para retratar a natureza, como você fez ao contemplar o conteúdo dos jarros do seu mosteiro. Sua mãe está certa quando diz que a courama serve pra tudo, inclusive para inspirar os poetas.

Quanto à dimensão da crônica está de bom tamanho sim, não pelo espaço ocupado na rede de comunicação e disseminação do pensamento humano, mas pelo que de valioso está contido nele: suas idéias e estímulos poéticos.

Sou-lhe grato por compartilhar comigo sua criação literária.

Um abraço do amigo
João Gomes da Silva `Vianei´"

17 de julho de 2007

Serve pra tudo.Cura até trombose











Por Airton Soares

Acabo de descobrir uma nova profissão. A de fotógrafo ambiental. Detalhista e caprichoso é bom que se diga!

Pois você me acredita, que passei mais de quinze minutos me ajeitando(eu e câmara) e ajeitando as plantinhas.

Primeiro despenquei meia dúzia de moribundas folhas; em seguida posicionei melhor os jarros. Estavam sombreados. Poderia ter acionado o flash, mas não tem como a luz natural. Disse-me outro dia um amigo que trabalha no ramo.

Liquei o som. Os cientistas dizem que elas adoram música. Não é qualquer som de zabumba. São exigentes e sensíveis. Nasceram com os ouvidos talhados para a boa música.

E por fim, uma chuveirada. O leitor não precisa grelar os olhos para perceber que acabam de sair do banho. E... na hora do clic final, por força do hábito, ia dizendo: Atenção, todo "mundo" pronunciando "x". Nesse ínterim passava um transeunte. Me contive. Bateu a vergonha, mas bati as fotos.

Ah, sim, ia esquecendo: as celebridades fotografadas residem na varanda do meu monastério, no centro da cidade e atendem pelo nome de courama. São duas especimens (será que pluralizei correto?). Não sei dizer o nome científico e tampouco estou com disposição para pesquisar na net. Só sei dizer o que a minha mãe diz. "Meu filho, plante courama que é um santo remédio.... Serve pra tudo. Cura até trombose."

Para quem estava sem assunto, essa crônica tá de bom tamanho, mas quem vai falar sobre o "tamanho" da crônica é você, leitor, no espaço abaixo reservado aos comentários.
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* Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. http://airton.soares.zip.net/

15 de julho de 2007

Li por Aí mundão afora



Por Airton Soares

LOUCURA I
Erasmo de Rotterdam ou Erasmo de Roterdã, (nascido provavelmente a 27 de Outubro de 1466 em Rotterdam e falecido a 12 de Julho de 1536 em Basiléia) foi um teólogo e um humanista neerlandês e autor do clássido ELOGIO DA LOUCURA.
Saiba +

LOUCURA II
Se alguém te chamar de louco
bendiz o teu desatino
e ensandece mais um pouco
posto que és louco divino.
Batista Soares

LOUCURA III
Em todo pessimismo existe sabedoria,
mas é uma sabedoria estéril.

Em todo otimismo existe loucura,
mas é uma loucura criativa.

E é dessa loucura que o mundo se ressente.
Sejamos loucos com responsabilidade.
Airton Soares

SAFADOS
Borracharias por todo o Brasil alugam pneus novos para pobretões irresponsáveis levar o carro para ser aprovado nas vistorias. Não tens dinheiro, cara? Anda a pé. Te enxerga.
Prates

FALTA DIZER
Muita gente anda circulando em busca de emprego. É bom que a turma não esqueça que deve conjugar duas virtudes para chegar ao ponto: vontde e qualificação. Sem essas duas "fadas", vai ser difícil. Mas tem uma coisa: as duas dependem só da pessoa. Não adianta culpar terceiros. Idem

Acesse e leia mais

14 de julho de 2007

"Me acostumei com você"

Por Airton Soares

- Oi, "Me", tudo bem?
- Tudo.
- Demorou. Não posso negar, mas..
- Mas o quê?
- "Me acostumei com você"... assim.
- Assim?!
- Assim, fora da norma culta. Todo chique iniciando frases e mais frases. É, a língua está menos tensa. Era tão clássica. Você vai acabar virando Cult.

- Tem nem perigo! Mas preciso dizer: poderia, se quisesse. Veja bem: nesse momento estou vomitando o tédio do sucesso; faz um tempão que sou slogan dos `Mercadinhos São Luiz´. E agora, na área palaciana. Me dou nota dez! Mas uma coisa que eu num faço `ìmpêin´: entrar pra norma culta. Quero ser livre. Está lá e cá, entre o povão e o poder.

Foto/Arte: Airton Soares
DEBATE:: "Último entrevistado da série `Debates Especiais Grandes Nomes´, o governador Cid Gomes (PSB) deu nota três para o seu desempenho à frente do Executivo numa escala de zero a dez."(...) Capa /manchete -
Jornal O Povo, quinta, 12/07/2007.

13 de julho de 2007

SUCRO - Etimologia

Por Airton Soares

Li ontem
no Diário do Nordeste. "O setor sucroalcooleiro no Ceará têm seus custos muito elevados..."

O "Houaiss" diz que
sucroalcooleiro é um adjetivo referente ou pertencente ao açúcar e ao álcool. Fui lá de novo (no Houaiss) e não encontrei o verbete SUCRO.

Foi aí que eu
me lembrei de consultar um site `pancada´ no assunto Origem da Palavra - Consultório Etimológico. (faz parte dos linques do blog http://airton.soares.zip.net

“Caro professor: Qual a etimologia da palavra sucro? Em menos de 24 horas recebi a resposta:

"Airton
`Sucro´ não deve ser representado como um verbete separado, pois é um elemento de composição antepositivo.

Deriva do Francês SUCRE, do Latim Medieval SUCCARUM, do Árabe SUKKAR, do Persa SHAKAR, do Sânscrito SHARKARA, "pedra moída".
Desta vez deu para recuperar uma história longa, não? "

Urra! `Senti firmeza´.
Elogiando: aqui no Ceará a gente diz assim: Esse professor é um "caba da peste."

11 de julho de 2007

Engolindo Sapo e a Literatura




Por Airton Soares *



”Os respingos da tua ignorância não passam pelo meu guarda-chuva de sabedoria.`”

A frase de pára-choque de caminhão, acima, me fez lembrar um desabafo que eu escrevera há bastante tempo.
No final do expediente, num certo dia, numa certa empresa, o chefe chegara e soltara (*) os cachorros em cima de mim, na frente de todos meus colegas.

Engoli o sapo!
Meu consolo: Em casa, pego meu diário e escrevo em letras graúdas e de cor vermelha.

Ligue pra isso não, cara! Quanto mais atenção a gente dá a um fato, mais ele cresce de importância. Além do que, trata-se de um sujeito `brucutúlico´, com atitudes e comportamentos estritamente tribais. Perca sua noite de sono, não! E, cá pra nós, mesmo após a digestão do sapo, é desperdício manchar de instrução uma estupidez tão autenticamente pura. Fique na sua!

Fechei o diário e dormi numa boa, a noite toda!

Inventei essa história há pouco, mas bem que poderia ter sido verdade. E, sabe-se lá, se não foi ou é a sua verdade, leitor? Barris Steven, em seu livro Não apresse o rio, ele corre sozinho, tem uma passagem assim: Fantasia, diz o homem que lê fatos ao homem que lê ficção, desconhecendo que os fatos são fantasias e, mesmo que não o fossem na hora em que são escritos, passam a ser na hora em que são lidos´. É por essas e outras que me amarro em literatura!

(*)" o chefe chegou e soltou..." é muito mais musical, gostoso de pronunciar. Escrevi assim, mas meu revisor, que entende do assunto, alterou para "o chefe chegara e soltara". Horrível! Perdeu o requebrado da frase. O que eu queria mesmo era provocar chiado na frase. Só isso, mas a gramática não permitiu. Vote!
* Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. http://airton.soares.zip.net/

10 de julho de 2007

Viciado em Jornais

Por Airton Soares


"O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.

Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.
Poema do Jornal - Drummond.

E... quando o sujeito é viciado em jornais, não pára por aí essa doce música mecânica que vem da sala de linotipos.

Sou muito afeito às leituras virtuais, mas os meus ouvidos não dispensam, de manhãzinha bem cedo o som-chegada, em forma de baque, do meu jornal `DePapel´ cheirando à tinta fresca.

9 de julho de 2007


O arista de rua
e o poeta

Por Airton Soares


De mim, o artista de rua
um cachê recebeu
a Ortobom achou foi bom
no meu blog apareceu
e, em alto e bom som,
a Ele agradeci o dom
que de graça me concedeu.

Foto: "AS" Produções
Sossegado e bonito Centro de Fortaleza

8 de julho de 2007

cena I

AnoS
55


Por Airton Soares


- AS, em que consiste a vida?

- A vida consiste em cuidar de todas as coisas que nela há.

- E o que é cuidar?

- Cuidar é ter em alta consideração.

- E o que é ter "em alta consideração?"

- É ter con + sider + ação pelo outro - é respeitá-lo. Simbolicamente é soerguê-lo até ao sidério... À luz. Para que você possa iluminar alguém, precisa estar iluminado... Ter conhecimento da estrada. Todo mundo sabe disso, no entanto...

- E por que amanheceu tão filosófico?

- Porque hoje é o Dia da minha `inauguração´. Dia para se refletir... Fazer balanço.

- Então você é canceriano?

- Sim, canceriano, sensível até dizer chega! Nasci no dia 08 de julho de 1952, em Ipu - Ceará.

- E aí?

- E aí, é que cheguei a conclusão de que sou uma pessoa feliz, mas que precisa se cuidar mais. Cuidar mais do corpo - mente e alma.

- Uma mensagem final.

- "A vida só gosta de quem gosta da vida."

- Parabéns e muito paz. Fica com Deus!

- Obrigado meu anjo. Volte sempre. Entre sem bater.
cena II

AnoS
55


Por Airton Soares

Brasil, homem, de 46 a 55 anos. Eis o modelo padrão que a UOL blog nos disponibiliza para que tracemos o nosso perfil. O intervalo-idade é de 10 anos. E hoje, domingo 8, atinjo essa extremidade. Mais quatro extremidades dessas estão de bom tamanho. Mas durar e viver 95 `julhos´vai depender bastante dos anjos e de que eu faça por onde, coisa que não estou fazendo, sobretudo, no quesito alimentação. Num vou mentir, se não vou `pretin´... Será que existe mesmo? Não estaria ao redor de nós, assim como o céu? AS.

6 de julho de 2007

Palavra puxa palavra 01

Por Airton Soares

Acordei pensando
num trecho da poesia do poeta Araújo Porto Alegre quando fala de
Cobiça.
“Quando o demônio da cobiça agarra
o humano coração, só morto o deixa.”

Araújo Porto Alegre -1806 -1879
O primeiro artista a publicar uma caricatura no Brasil.
Foi um escritor do romantismo, pintor, caricaturista, arquiteto,
crítico e historiador de arte, professor e diplomata brasileiro.

Quando se fala em cobiça
Escuta-se a voz de Fagundes Varela em Velha canção:

Prosperidade na terra
É sonho que pouco dura:
Tudo definha e fenece
Na lousa da sepultura.

Sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar que mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar que mora longe, sonho meu
Vai mostrar esta saudade, sonho meu
Com a sua liberdade, sonho meu.

Essa música é a cara
do meu amigo escritor e trovador Fernando Câncio,
Da UBT – União Brasileira de Trovadores - Secção –Ce,

É dele essa linda trova:
A ilusão da meninice
Com os meus netos se refez,
Agora em plena velhice
Eu sou criança outra vez

Uma frase, também, do Câncio
que eu repito "adoidado" (não precisa dizer que é
num bom sentido!
"Que adiantam meus cabelos brancos se a minha
alma faz pipi na cama."

2 de julho de 2007

Cubando o movimento


Por Airton Soares

O padroeiro da minha terra natal
É São Sebastião, comemorado a 20 de janeiro. Todos os anos, nós ipuenses, comemoramos e festejamos este evento religioso, naturalmente regado à missa, novena, festas e outros atrativos do gênero.

No sereno da festa
No ano em que meu pai, por alguma razão, não podia se fazer presente à grande festa no Clube Recreativo Grêmio, dizia assim: “Este ano só vou ficar no sereno da festa cubando o movimento.”

Tinha lá meus nove anos
O tempo foi passando e cubando o movimento não saiu de minha mente. Na época, ainda pequeno, ouvira muitas vezes esta expressão e era da minha inteira compreensão, muito embora não soubesse explicar. Tinha lá meus nove anos.

Acontece que
Na faculdade me apaixonei pela etimologia e passei a me questionar: Por que cubar é observar em seus mínimos detalhes?

Eureca!
E... Comecei a escarafunchar nos dicionários qual a razão de se dizer cubar... Ora, cubar vem de cubo e na geometria é um poliedro com seis faces quadradas. Daí quando se está cubando o movimento se observa o que está em cima, embaixo, do lado direito, do lado esquerdo, de tudo que é canto. Não deixa passar nada! É uma observação de fazer inveja aos "grampos" utilizados pela Polícia Federal, de tão profunda que é!

Neologismo
Marcus Gadelha, no Dicionário de Cearês diz que cubar é observar um lugar com a intenção de roubar. Nesse mesmo sentido, o professor Tomé Cabral no seu Dicionário de Termos e Expressões Populares, averba: cubar é medir o adversário, calculando a possibilidade de êxito, em caso de agressão. Diz ainda o renomado professor que cubar é um neologismo proveniente do Sul, já bastante difundido no Nordeste, no meio dos malandros e desordeiros.

O meu contexto
Não precisa muito esforço para o leitor perceber que o contexto da minha vivência com relação a cubar está literalmente inserido no contexto curiosidade.

E pra terminar...
Costumo dizer em meus cursos e palestras: CURIOSnão temIDADE e
“Um remédio para o tédio é a curiosidade e não existe remédio para a curiosidade.” Assim, curiando, aprendi a esquartejar as palavras; penetrar em suas vísceras para extrair o néctar semântico e `genomar´ seus infindos significados que dormem, como diz o poeta Valdemir Mourão, como criancinhas risonhas a contemplarem os anjos sem notarem o perigo que se aproxima.

* Airton Soares é professor, palestrante e autor de O Mundo Fora de Esquadro. http://airton.soares.zip.net