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3 de setembro de 2007

Fogo na Roupa

Por Airton Soares













Não pense o leitor, que vou falar sobre o sensualismo da jovem que aparece na foto com essa arma no cós de sua calcinha.

Aliás, nem precisa dizer nada. A imagem por si só já acorda em nosso juízo tudo que há de paradisíaco e profano.

Podemos até dizer com muita segurança que essa menina do jeito que está armada é “fogo na roupa” Pois bem, se não pretendo falar sobre as minudências dos deleites carnais, então qual será a proposta da crônica?

Mais desafio do que proposta, será discorrer sobre a etimologia da palavra belicismo - título do post do fotoblog Escrúpulos Precários de onde trouxe para cá essa "belicosidade"- sem me deixar influenciar tanto pelo texto imagístico-sedutor. Mas, como dizia o escritor Henry James: “Nem tudo que se enfrenta, pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que se enfrente.” Vamos lá!

Belicismo é a doutrina que defende a guerra ou o armamentismo. Pessoa de espírito guerreiro, belicoso. Assim, “Bellum” em latim deu arma, guerra na língua portuguesa.

"AS", se bélico diz respeito à guerra, armamento, como explicar esta notícia que li no jornal na qual aparece a palavra debelar? “A Infraero informa que o princípio de incêndio no Terminal II do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, já está debelado, depois da atuação de unidades do Corpo de Bombeiros...”

Dúvida pertinente. Acontece o seguinte: no sentido denotativo, de +belar ( não à guerra; cessar a guerra) é vencer em luta armada: derrotar. No contexto acima, debelar aparece metaforicamente, ou seja, no sentido conotativo significando a extinção de algo considerado maléfico, no caso o incêndio.

No duro, no duro não deixou de ser uma guerra, pois os bombeiros se “armaram” para combater o “inimigo” fogo. Chega de guerra! "Desarmemos" mentalmente essa jovem - se é que você já não o fez - pois como diz mestre Drummond: é função tácita da roupa preparar o instante de nudez.

28 de agosto de 2007

É função tácita da roupa...



"É FUNÇÃO TÁCITA DA ROUPA
preparar o instante de nudez"

Airton Soares


Enquanto o leitor se entretém com o profundo e insinuante aforismo, do mestre Drummond, é tempo suficiente para que eu teça algumas linhas sobre a palavra tácita.

( três minutos depois...)

Na mitologia grega, tácita é a deusa do silêncio. Do latim tacitus = onde não há som, ruído, rumor.
Exemplos.:
:: Acordo tácito (sem alarde, discreto);
:: Os amores tácitos das estátuas de mármores ( não traduzidos por palavras). Lembrar a cena da novela Esperança.- clique. O personagem Toni e sua Maria (estátua);
:: Amanheceu taciturno (triste, calado)...e por aí vai...

Toda palavra tem o seu santuário íntimo. É lá que descobrimos as múltiplas possibilidades dos significados. É lá também, que podemos decifrar seu DNA semântico. O início da "viagem", via de regra, começa pelos dicionários.

Mas, "AS", consultar dicionários é um "saco". Aceito. Agora, lembre-se de que a vida não dá nada aos mortais sem grandes fadigas. Palavras do grande poeta latino Horácio.
E tem mais: se pensar aborrece; não pensar emburrece.

29 de julho de 2007

Idéia peituda


Airton Soares

A idéia do torcedor me transportou às lembranças de pré-brochote no interior quando,"carrapichicamente", pedia ao meu pai um presente que estava muito além das suas possibilidades pecuniárias. Ele me deixava mais esperançoso ao dizer: “É só isso?! Qual é a cor do carro que você quer ganhar?” Ingenuamente respondia. Ainda bem que a gente cresce.

É só isso? Qual o tamanho e a cor do peito que você deseja ver caro desportista `amante´ do futebol? Olhe moço, esta prática estaria muito além das possibilidades morais vigentes. No entanto, é bom enfatizar: trata-se de uma idéia peituda e por demais instigadora.

Já pensou, a expressividade do público pagante em cada jogo! E... do jeito que anda esse mundão `$ifrônico´*, sabe-se lá!

Vou findar a conversa. Só quero dizer mais uma coisinha: um pouco de fantasia e jocosidade num final de um expediente estressante, se não fizer bem, mal é que não faz.

* $ifrônico (palavra inventada)... de cifra

19 de fevereiro de 2007

O SALPICÃO


Por Airton Soares


O salpicão fumegava, nas mesas, rodeado de ervilhas e olhares pidões. Ao meu lado, um par de fartos e opulentos seios, vitrinicamente exibido, roubava a cena da venerada e salivante iguaria.

Cuidei em dissimular minhas inquietudes. Nestas circunstâncias não é fácil administrá-las, mas engrandece quem aceita o desafio. Na verdade, a tarefa se abranda e nos torna menos vulneráveis e muito mais afoitos quando esse formigamento animal surge das profundezas do inconsciente. Daí leitor, não existir no Código Civil Brasileiro nenhum Artigo que condene os apetites do subconsciente. Não sei se a justificativa atende, mas foi a única que me veio à mente.

O fato é que, especificamente nesta situação, entre um olhar pidão e uma carícia oftálmica venceu, folgadamente, o segundo impulso. Viajei no tempo. Criei cenários. Tornei-me amante, virei poeta!

"Muito embora não se esgote,
todo assunto que é você,
mas pelo "V" do seu decote
quanta coisa a gente vê!"

Encantos feminis! Ô negócio pra tirar o juízo da gente. Tira e num bota mais no lugar e quando bota num fica mais do mesmo jeito. Fica fora de esquadro, fora de prumo.

Balancear, alinhar direção, virar o pescoço, fazer de conta que não tá vendo. Como? Me explique! Se a estrada continua lá com suas sinuosas e insinuantes curvas?

- Se eu fosse você.
- Olhe, tome tento.
- Tu num sabe onde tá se metendo!

Também, de pouca serventia são esses conselhos, reprimendas, ou coisa parecida. Saiba doutor Superego que a libido detesta ouvir razões! Ah, e nem desconfia, o mais vocacionado e apoteótico conselheiro familiar de que numa mulher, a vulcanidade dos gestos; um cruzar de pernas; um só riso; um trejeito inocente, a mais sutil lascívia, enfim toda essa gama de sortilégio feminil que a torna fêmea, fina e flor, pode num átimo de tempo, acordar em nós, os impulsos da animalidade, da amizade e do amor.

Por isso, leitor tem cabimento a feliz frase do poeta Dante Milano: No mundo, tirando a mulher, o resto é paisagem.

28 de janeiro de 2007

A banhista


Por Airton Soares

Ela, que tanto aprecia a multidão, desta feita resolveu ensimesmar-se e curtir o mar sem a presença de inquietações e rumores humanos.

"O mar, mesmo agitado, é um grande mestre." Seria esse um dos seus pensamentos? Só Deus sabe! Ou estaria absorta olhando as nuvens e contando carneirinhos? Ah, já sei. A bonita jovem declama mudamente uma poesia de Cecília Meireles: "O choro vem perto dos olhos/ para que a dor transborde e caia / O choro vem quase chorando /como a onda que toca na praia..."

Ela cruza os braços. Não me parece está com frio... uma moça só e sozinha. Tão bonita e tão boa. Quem será? Uma banhista que nem desconfia que é o centro das atenções e desejos incontidos de um poeta que, sem assunto, acessa no final de tarde, de um fim de domingo, o site do jornal da Paraíba e ler:

PERIGOS DO SOL SÃO IGNORADOS POR BANHISTAS EM JP
Capital possui alto índice de radiação solar, com riscos extremos para quem se expõe sem proteção.