29 de novembro de 2007

TUDO TEM QUE FAZER DINHEIRO

Nós temos memória, sim! Brasil, abril 2006

neoliberalismo
TUDO TEM QUE FAZER DINHEIRO
TUDO TEM QUE SE GASTAR


Não importa se sou um caseiro,
um Palocci, um "Beira- Mar"
se sou um sujeito direito
ou político de "H"
se digo que o Brasil tem jeito
é melhor desconfiar
tudo tem que fazer dinheiro
tudo tem de se gastar.

Se trabalho o dia inteiro
ou procuro me empregar
se sou exímio pistoleiro
ou se minha profissão é roubar
tudo tem que fazer dinheiro
tudo tem que se gastar.

Se na cadeia, o bandido
tá livre para `tramar´
se o puteiro em Brasília
tem Bingo - Campagne - Caviar
e que o campanheiro `Padilha´
pra casa não pode voltar
é que o cassino, na ilha
da fantasia, não pode parar
pois TUDO... tem que fazer dinheiro
tudo tem que se gastar!

16 de novembro de 2007

Em uma certa Instituição Pública

Por Airton Soares


Enquanto aguardava uma certidão de antecedentes criminais ouvia atentamente as lamúrias da funcionária, que me atendia, à sua coordenadora. “Num vou ficar louca não!”

Uma vez fazendo parte do contexto, não me foi difícil traduzir os subentendidos da (in) servidora: É muito serviço, fulana, eu não vou ficar louca preparando pra hoje esse horror de certidões. Tem condição não!

O discurso, "Não vou ficar louca...", que infelizmente é presença constante na maioria das pessoas que trabalham no atendimento a clientes, não me pareceu uma simples maneira de dizer, um dizer hiperbólico. Observando o semblante da funcionária, realmente ela demonstrava ter medo de enlouquecer com o "horror" de tarefas a cumprir.

No entanto, pelo que pude constatar, a digitação constava apenas do nome do requerente, número do CPF e alguns dados de praxe. O grosso do texto já estava pronto em forma de matriz.

E continuou: “Daqui a pouco vai começar o infeerno.” Pronunciou a última palavra com ênfase. Posso até dizer que o fez com muita raiva. Por um triz não perguntei à servidora. Senhorita, há quanto tempo você está nesse “infeerno”? Tive medo de me “queimar” e a certidão não sair a tempo.

Achei melhor ficar calado. Sei que não fui assertivo. Engoli calado e isto me deixou angustiado. Me senti mal, pois como já disse não fui assertivo e nem havia clima para tal.

Ainda bem que tenho o leitor para `ouvir´ o meu desabafo.